Crítica | Planeta dos Macacos – O Reinado surpreende com história sobre vínculos e recomeços

Planeta dos Macacos – O Reinado é uma surpresa para quem não esperava nada e alívio pra quem esperava muito

Quando já se sabe que o mundo acabou para os humanos e quem agora domina são os macacos, poucas são as expectativas para um filme com ‘Reinado’ no nome, a não ser, talvez, um rei.

No filme dirigido por Wes Ball, Planeta dos Macacos – O Reinado, a história se passa três séculos após a morte de César e da Guerra pelo Planeta dos Macacos, mas inicia com uma cena emblemática marcando o seu funeral.

O prólogo anuncia que o vírus que dizimou quase toda a população de humanos fez com que os sobreviventes, séculos depois, perdessem a capacidade de fala e de inteligência, enquanto a evolução – palavra importante para o filme – tornou os macacos seres ainda mais inteligentes, mesmo que ainda precisem aprender a conviver em sociedade.

(Imagem: Divulgação/20th Century Studios)

Em um mundo feito de ruínas, florestas e águias, conhecemos os macacos Noa (Owen Teague), Soona (Lydia Peckham) e Anaya (Travis Jeffery), que se aventuram pelo que sobrou de uma grande cidade em busca de completar uma tarefa para uma missão importante para seu clã, capturar um ovo de águia para um ritual de vínculo que está prestes a acontecer.

Esta sequência inicial busca criar também um vínculo com o espectador, criando uma atmosfera que apresenta elementos da cultura, dos relacionamentos e também dos perigos que os jovens enfrentam ao desbravar o mundo que por milhares de anos não os pertenceu.

Antes de explicar o motivo da busca por um ovo de águia, além do que fica claro que os pássaros serão criados pelos macacos como companheiros domésticos e também para a caça, o trio se depara com a presença ainda não revelada de um daqueles que eles evitam, os Ecos.

(Imagem: Divulgação/20th Century Studios)

Para o Clã da Águia, os humanos são Ecos. Esse nome brinca, mas também ressoa como uma infinidade de definições, seriam os humanos ecos do passado ou apenas aqueles que são ouvidos como ecos de um túnel que separa a região do clã da área em que eles não podem ir de forma alguma?

O protagonista de O Reinado é o jovem macaco Noa, que busca a aprovação do pai, Mestre das Águias, enquanto se prende ainda ao ritual de vínculo com sua futura águia. Noa tem coragem, respeita e ama sua família e dá muito valor as suas tradições.

O filme é custoso até então, pois se prende a alguns detalhes de construção que levam apenas até aí, mas tem um interessante evento que dá impulso à trama: quando a humana persegue Noa até sua tribo em busca de comida e é descoberta pelo macaco, e durante um embate um pequeno acidente frusta, em bom tom cênico, até mesmo o espectador.

(Imagem: Divulgação/20th Century Studios)

Noa parte, em segredo, em busca de um mais uma oportunidade para conseguir participar do ritual de vínculo, e no caminho descobre que há outros macacos se dirigindo até a sua tribo em busca da garota. Neste momento não fica claro porque outro clã atua de maneira bruta, violenta e dominadora sobre a tribo que vivia em paz.

Na luta, Noa perde tudo aquilo que mais prezava: sua família, seus amigos e ainda fica sem uma águia, restanto apenas a antiga companheira de seu pai que sempre demonstrou desafeto.

O filme esquenta e não é apenas pelo fogo que destruiu toda a vila, mas por despertar em Noa um espírito de líder e defensor que conhecemos em César, nome entoado pelos macacos dominadores como grito de guerra.

Das cinzas, renasce o único sobrevivente, Noa, que parte em uma jornada que segue os rastros deixados pelos dominadores que sequestraram todos os que restaram do clã. Ao passar pelas ruínas de um antigo aeroporto, Noa encontra o velho e sábio macaco Raka, interpretado por Peter Macon, um personagem adorável que acolhe e se interessa por tudo em torno de Noa. Raka é um dos últimos seguidores dos ensinamentos de César, tem uma paixão por livros e grande curiosidade pelos humanos.

(Imagem: Divulgação/20th Century Studios)

Se juntam à inocência de Noa e ao carinho de Raka, a revelada figura da humana sem nome, até então, da atriz Freya Allan. Como um animal de estimação, a garota ganha um nome provisório, Nova (referência importante ao último filme da trilogia anterior), além de comida e um fogo para se aquecer.

Nova, que depois declara ser Mae, é uma das poucas sobreviventes de tribos de humanos que ainda sabem ler, escrever e falar – o que surpreende os personagens e também o espectador, mas nem tanto assim.

A relação dos três personagens ganha força fácil, afinal de contas Noa ainda precisa criar vínculos, mas que é posta a prova durante uma longa sequência de fuga daquela tribo que ainda persegue a garota.

(Imagem: Divulgação/20th Century Studios)

Com uma morte previsível na narrativa, a história segue para mais um ato que em muitos momentos entrega cenas construídas como finais grandiosos, onde você pensa: acaba aí, mas não.

Somos então apresentados a Proximus Caesar (Kevin Durand), rei egoísta, arrogante e debochado, que por meses tenta obstruir a entrada de um cofre gigante deixado por humanos em busca de tecnologias que vão, segundo ele, acelerar a evolução de sua própria espécie.

Macacos como Proximus não querem ser macacos evoluídos, querem ser humanos – e demonstram isso em muitos comportamentos reproduzidos pela humanidade em milhões de séculos – dominação, escravidão, violência e domesticação.

(Imagem: Divulgação/20th Century Studios)

Mae continua na história, mas é uma personagem que cansa por mistérios demais – primeiro escondeu que falava, depois sobre sua tribo e por último pelo verdadeiro motivo dela se aproximar de Noa, ela sabia que ele faria de tudo para chegar até onde ela precisava ir.

A narrativa segue construindo um cenário onde o passado e o presente se encontram, enquanto Noa e sua tribo precisam decidir a quem eles devem criar um vínculo – a um futuro onde os macacos possuem acesso a tecnologia que proporciona a evolução, ou a um novo presente onde um novo reinado pode surgir.

Destacando-se pela qualidade visual e sonora, O Reinado entrega momentos de ação memoráveis, embora menos frequentes do que se poderia esperar. No entanto, a história se sustenta como um excelente capítulo da franquia, mantendo o padrão de qualidade estabelecido pela trilogia anterior.

Para os fãs da série e os apreciadores de ficção científica, Planeta dos Macacos – O Reinado é uma experiência cinematográfica imperdível, que chega aos cinemas brasileiros em 9 de maio.

Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa a convite da 20th Century Studios Brasil.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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