Marsupilami: Confusão a Bordo é uma comédia assumidamente boba, exagerada e cheia de situações absurdas, daquelas que conseguem divertir as crianças com as trapalhadas mais óbvias enquanto reservam aos adultos algumas piadas sarcásticas e até questionáveis para uma produção voltada ao público infantil. Leia a crítica completa.
Com direção e roteiro de Philippe Lacheau, o filme não demonstra nenhuma vergonha de abraçar a chacota e transformar praticamente todos os acontecimentos em uma grande confusão, mesmo quando isso significa deixar a lógica e a continuidade um pouco de lado.
A história começa em uma floresta da América do Sul, onde alguns caçadores enfrentam a resistência de um protetor local bastante trapalhão, interpretado por Jamel Debbouze. Mesmo sendo espantados, eles conseguem encontrar o que estavam procurando, uma espécie de ovo de formato estranho que, naturalmente, esconde algo muito mais importante do que parece.
Depois dessa introdução aventureira, o filme apresenta uma família bastante desajustada. David, vivido pelo próprio Philippe Lacheau, é separado de Tess, personagem de Élodie Fontan, e tenta manter alguma proximidade com o filho, embora sua vida profissional esteja longe de ajudar. Ele trabalha em um zoológico e, depois de beber para afogar as mágoas, provoca uma confusão catastrófica, soltando os bichos e transformando o local em um completo caos.
Como forma de compensar o prejuízo, David é obrigado a aceitar uma missão na América do Sul a mando de seu chefe, o vilanesco Jeffrey Malone, interpretado por Jean Reno. Para acompanhá-lo, ele recruta o colega de trabalho Stéphane, vivido por Julien Arruti, principalmente porque acredita que o rapaz tem cara de bobo o suficiente para assumir os perigos e os riscos caso alguma coisa dê errado. E, considerando o tipo de filme, é evidente que praticamente tudo dará errado.
David também aproveita a viagem para levar Tess e o filho, usando a missão como desculpa para uma comemoração familiar de aniversário do filho. A ideia até poderia resultar em uma tentativa de reconciliação mais sentimental, mas o longa prefere transformar as dificuldades da relação entre pai, mãe e filho em uma sequência de lições parentais cheias de humor, acidentes e decisões completamente irresponsáveis.
Até aqui, se você tem um humor parecido com o meu, já terá dado boas risadas o suficiente para dar uma chance de desapegar da realidade e deixar o filme te levar.

No meio disso tudo, ainda aparece Ricky Salsa, um suposto cantor famoso interpretado por Tarek Boudali. Durante o cruzeiro no qual os personagens se encontram, ele espera ser reconhecido e tratado como celebridade, mas logo percebe que ninguém parece dar a mínima para sua presença. É uma piada simples, repetida de diferentes maneiras, mas que funciona justamente pelo entusiasmo exagerado do personagem diante da completa falta de interesse das pessoas ao seu redor.
O Marsupilami demora um pouco para surgir, aparecendo apenas por volta da metade do filme, mas sua chegada ajuda a renovar a aventura. Criado com uma mistura de animatrônico e CGI, ele ficou bastante fofo e expressivo, funcionando bem tanto como elemento fantástico quanto como responsável por novas confusões a bordo. E que ferinha mais sem vergonha, podemos dizer.
O filme também é recheado de referências ao cinema e mantém um ritmo acelerado, com piadas sarcásticas, absurdos visuais e situações cada vez mais descontroladas. Muitas cenas realmente provocam gargalhadas, tornando a experiência muito gostosa e despretensiosa. As crianças provavelmente irão rir das besteiras e dos acidentes, enquanto os adultos poderão se divertir com as piadas mais ácidas e com o caráter quase irresponsável de algumas sequências.

Narrativamente, porém, Marsupilami: Confusão a Bordo tropeça bastante. A questão temporal nem sempre faz sentido, a continuidade é tratada de maneira quase conveniente e algumas situações dependem de uma licença poética enorme para funcionar. Ainda assim, dentro de sua proposta, o longa é bem produzido, divertido e consegue equilibrar satisfatoriamente o humor infantil com as brincadeiras voltadas aos adultos.
Não é uma história preocupada com lógica ou profundidade, mas é uma comédia boba (no bom sentido), simpática e muito fácil de assistir.
O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 23 de julho pela Paris Filmes.
Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa a convite da Paris Filmes e Espaço Z.



