Sessão de Terapia constrói seus conflitos a partir de um cenário aparentemente simples: um consultório, duas pessoas e uma conversa. Dirigida desde a primeira temporada por Selton Mello, a produção concentra a narrativa nos diálogos, nas expressões dos personagens e nos silêncios que surgem durante cada atendimento.
Em vez de utilizar diferentes cenários ou sequências de ação, a série acompanha pacientes e terapeutas enquanto eles enfrentam traumas, dúvidas, relações familiares, dificuldades profissionais e questões ligadas à própria identidade. As revelações aparecem gradualmente, conforme as sessões avançam e os personagens encontram novas formas de interpretar suas histórias.
Como funciona Sessão de Terapia
A produção brasileira é uma adaptação de BeTipul, série israelense criada por Hagai Levi. O mesmo formato também serviu como base para a produção norte-americana In Treatment, exibida pela HBO.
A estrutura de Sessão de Terapia acompanha os dias úteis da semana. De segunda a quinta-feira, cada dia é reservado para um paciente diferente. O público acompanha a continuidade de cada tratamento semana após semana, observando as mudanças de comportamento, as resistências e os conflitos apresentados durante as consultas.
As histórias abordam crises conjugais, traumas de infância, esgotamento profissional, sexualidade e luto. Embora cada personagem tenha uma trajetória própria, os atendimentos também revelam como as experiências dos pacientes interferem na vida pessoal do terapeuta.
Nas sextas-feiras, a dinâmica é invertida. O profissional que passou a semana ouvindo seus pacientes assume o lugar de quem precisa falar. Ele participa de uma sessão com seu supervisor, momento em que surgem suas inseguranças, contradições e dificuldades para lidar com os problemas que tenta esconder.

Essa mudança de perspectiva mostra que o terapeuta não ocupa uma posição distante ou imune aos próprios conflitos. O profissional também precisa avaliar suas escolhas, seus limites emocionais e a maneira como conduz os tratamentos.
As primeiras temporadas com Theo Cecatto
As três primeiras temporadas de Sessão de Terapia, exibidas entre 2012 e 2014 pelo GNT, acompanham o terapeuta Theo Cecatto, interpretado por Zécarlos Machado.
Ao mesmo tempo em que atende seus pacientes, Theo enfrenta crises relacionadas à sua vida pessoal e profissional. Nas sessões realizadas às sextas-feiras, ele é supervisionado por Dora, personagem de Selma Egrei.
As duas primeiras temporadas seguiram de maneira mais próxima os roteiros da produção israelense. A partir da terceira temporada, a roteirista-chefe Jaqueline Vargas passou a desenvolver histórias originais, direcionadas a situações ligadas à cultura e à realidade brasileiras.
Essa mudança permitiu que a adaptação construísse uma identidade própria, sem abandonar o formato baseado em atendimentos semanais e na inversão de papéis entre terapeuta e supervisor.
Selton Mello assume o papel de Caio Barone
Após cinco anos de intervalo, Sessão de Terapia retornou em 2019 pelo Globoplay. Selton Mello, que já dirigia a produção, também passou a integrar o elenco como o terapeuta Caio Barone.
Na quarta temporada, Caio é supervisionado por Sofia, interpretada por Morena Baccarin. Conhecida por trabalhos em produções como Deadpool, Homeland e Gotham, a atriz brasileira ainda não havia participado de uma produção nacional.

A temporada representou sua estreia em uma obra brasileira e também seu primeiro papel dramático de maior destaque interpretado em português.
Com a chegada de Caio Barone, a série iniciou uma nova fase. Os atendimentos continuaram organizados pelos dias da semana, mas o público passou a acompanhar os conflitos pessoais e profissionais de outro terapeuta.
Rodrigo Santoro entra na quinta temporada
A quinta temporada, lançada em 2021, trouxe Rodrigo Santoro como Davi, o novo supervisor de Caio Barone. Os encontros entre os personagens colocaram Selton Mello e Santoro novamente em cena juntos.
Os diálogos entre Caio e Davi mostram diferentes formas de compreender o trabalho terapêutico e as decisões tomadas durante os atendimentos. As sessões também expõem as resistências de Caio ao reconhecer os próprios problemas.
A temporada abordou impactos indiretos da pandemia de Covid-19. Entre os temas apresentados estava o esgotamento vivido por profissionais que atuaram na linha de frente, sem transformar toda a narrativa em uma história exclusivamente sobre a pandemia.
A sexta temporada e os conflitos contemporâneos
Lançada em maio de 2026, a sexta temporada é a fase mais recente de Sessão de Terapia. Nos novos episódios, Caio Barone passa a ser supervisionado por Rosa, personagem interpretada por Grace Passô.
A nova supervisora adota uma postura mais combativa durante as conversas com Caio, questionando suas escolhas e a forma como ele interpreta os próprios conflitos.
Os pacientes da temporada apresentam dilemas ligados ao medo masculino de envelhecer, ao impacto da inteligência artificial, à pressão do ambiente corporativo e ao burnout.

As histórias mantêm o formato que acompanha cada paciente em um dia específico da semana. Com isso, o público observa como os conflitos evoluem entre uma consulta e outra e como determinadas revelações alteram a relação entre terapeuta e paciente.
O trabalho dos atores dentro do consultório
O formato de Sessão de Terapia exige que grande parte da narrativa seja conduzida por duas pessoas conversando sentadas. Os atores não contam com mudanças frequentes de cenário, sequências de ação ou cenas de transição para sustentar os episódios.
O desenvolvimento das histórias depende do texto, das pausas, das microexpressões faciais e da forma como cada personagem reage ao que é dito durante as consultas.
Uma mudança no olhar, um silêncio prolongado ou uma resposta interrompida pode indicar que determinado assunto provocou desconforto. Esses elementos ajudam a revelar informações que os personagens ainda não conseguem apresentar diretamente.
O tratamento como um processo contínuo
Um dos temas recorrentes de Sessão de Terapia, especialmente na trajetória de Caio Barone, é a falsa sensação de que os conflitos emocionais foram completamente resolvidos.
Em diferentes momentos, o terapeuta acredita que já superou determinadas questões, mas novas situações demonstram que esses problemas continuam interferindo em suas decisões.

A série apresenta o cuidado com a mente como um processo contínuo, que não funciona como uma solução imediata ou como uma pílula tomada apenas uma vez. Os personagens precisam retornar aos mesmos assuntos, reconhecer resistências e compreender que determinadas mudanças exigem acompanhamento e manutenção.
Onde assistir Sessão de Terapia
Sessão de Terapia pode ser assistida no Globoplay, plataforma responsável pelo retorno da produção em 2019 e pelo lançamento das temporadas protagonizadas por Caio Barone. A série reúne as diferentes fases dos terapeutas Theo Cecatto e Caio, acompanhando pacientes, supervisores e conflitos desenvolvidos dentro do consultório.
O que assistir depois?
Quem se interessa pelos diálogos profundos, pelo ambiente do consultório e pela investigação da mente humana em Sessão de Terapia pode encontrar abordagens semelhantes em outras produções. In Treatment, versão norte-americana da série israelense BeTipul, acompanha diferentes terapeutas e pacientes, enquanto Psi apresenta um profissional que deixa o consultório para se envolver diretamente nos casos atendidos.
Entre as produções brasileiras, Os Normais utiliza a comédia e as conversas entre Rui e Vani para explorar neuroses e conflitos cotidianos. Já Falando a Real, do Apple TV+, acompanha um terapeuta em luto que decide romper regras profissionais, enquanto Gypsy, disponível na Netflix, transforma a relação entre terapeuta e paciente em um suspense sobre obsessão, identidades falsas e quebra de ética.
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