Tela Brasil: 5 filmes mais vistos têm histórias curiosas

Tela Brasil: curiosidades sobre 5 obras entre as mais vistas no lançamento.

O lançamento da Tela Brasil colocou novamente em evidência uma parte importante da história do audiovisual nacional. A plataforma pública e gratuita reúne produções de diferentes períodos, formatos e estilos, aproximando o público de obras que marcaram o cinema brasileiro, passaram por festivais internacionais, dialogaram com fatos reais e ajudaram a formar a memória cultural do país.

Entre os títulos que chamaram atenção no lançamento da plataforma estão filmes e um curta-metragem que carregam histórias fortes dentro e fora das telas. A lista passa por clássicos do Cinema Novo, adaptações literárias, dramas inspirados em acontecimentos reais, obras com grande desempenho de bilheteria e produções que levaram o Brasil a premiações importantes no exterior.

A seguir, veja curiosidades sobre cinco obras que ficaram entre as mais assistidas da Tela Brasil em seu lançamento.

A Hora da Estrela

a hora da estrela tela brasil
Divulgação.

Lançado em 1985, A Hora da Estrela marcou a estreia de Suzana Amaral na direção de longas-metragens e se tornou uma das obras mais lembradas do cinema brasileiro. O filme acompanha Macabéa, personagem interpretada por Marcélia Cartaxo, em uma atuação construída a partir de um processo intenso de preparação.

Durante as filmagens, Suzana Amaral adotou um método rigoroso para preservar a essência da personagem. Marcélia Cartaxo ficava sentada em uma cadeira virada para a parede, sem contato com a equipe. Ninguém no set, com exceção da diretora, tinha permissão para interagir com a atriz. A intenção era impedir que o ambiente das gravações interferisse na construção emocional e comportamental de Macabéa.

A preparação também passou pela observação de imigrantes nordestinas. A pedido de Suzana Amaral, Marcélia vivenciou o trajeto até São Paulo em uma viagem de ônibus que durou três dias. Esse processo ajudou a atriz a compreender melhor o deslocamento, a solidão e a condição social que atravessam a trajetória da protagonista.

O resultado teve reconhecimento internacional. Marcélia Cartaxo recebeu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, uma das premiações mais importantes de sua carreira. O filme também venceu seis prêmios no Festival de Brasília, incluindo Melhor Diretor e Melhor Filme.

O Órfão

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Divulgação.

Entre os títulos da lista, O Órfão se diferencia por não ser um longa-metragem. O filme é um curta dramático de 15 minutos, escrito e dirigido por Carolina Markowicz. Mesmo com duração reduzida, a obra alcançou grande repercussão internacional ao vencer o prêmio Short Film Queer Palm no Festival de Cannes de 2018.

A história acompanha Jonathas, interpretado por Kauan Alvarenga, um menino que acaba sendo “devolvido” ao orfanato pouco tempo depois de ser adotado. A nova família se incomoda com seus trejeitos afeminados, e essa rejeição conduz o drama central da narrativa.

A força do curta vem também de sua ligação direta com a realidade. O Órfão foi inspirado em fatos reais e aborda uma violência silenciosa, marcada pela discriminação, pelo abandono e pela dificuldade de acolhimento de crianças que não se encaixam nas expectativas impostas por adultos.

Deus e o Diabo na Terra do Sol

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Dirigido por Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, é um dos principais marcos do Cinema Novo. A obra consolidou a importância do cineasta no Brasil e também no exterior, competindo à Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano de seu lançamento.

O impacto visual, político e histórico do longa atravessou gerações. A produção ocupa a segunda posição na lista dos cem melhores filmes brasileiros organizada pela Abraccine, reforçando seu lugar entre os títulos mais importantes da cinematografia nacional.

Décadas depois, o filme voltou a Cannes em um novo contexto. Em 2022, 58 anos após o lançamento original, uma cópia restaurada em 4K foi exibida na mostra Cannes Classics e recebeu uma recepção marcada por aplausos.

Entre as memórias afetivas ligadas ao filme, há um relato da cineasta Paloma Rocha. Ela conta que, no dia de seu aniversário de três anos, Glauber Rocha se despediu antes de viajar para gravar no sertão da Bahia e deixou sobre seus ombros uma capinha. Paloma suspeita que aquela peça fosse parte do figurino de Antônio das Mortes, o matador de aluguel interpretado por Maurício do Valle e transformado em um dos personagens mais emblemáticos da obra.

Carandiru

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Lançado em 2003, Carandiru foi dirigido por Hector Babenco e baseado no livro de Drauzio Varella. O filme retratou a tensão do maior presídio da América Latina e se tornou um fenômeno de bilheteria no Brasil.

Com mais de 4,6 milhões de ingressos vendidos, a produção encerrou 2003 como o quarto filme mais assistido do ano no país. O desempenho reforçou a capacidade do longa de alcançar um público amplo, mesmo tratando de uma realidade dura, marcada pela rotina carcerária, pelas relações internas do presídio e pela violência institucional.

Nos bastidores, o filme também guarda um significado pesado por ter sido o último trabalho de Sabotage, um dos nomes mais importantes do rap nacional. O músico foi assassinado antes do lançamento oficial do longa. Por sua participação, recebeu indicações póstumas na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em premiações do cinema brasileiro.

A força das histórias apresentadas em Carandiru também ultrapassou o filme. A riqueza dos relatos da rotina carcerária deu origem à série televisiva Carandiru, Outras Histórias, lançada em 2005. A produção derivada focava em fatos anteriores aos acontecimentos da trama principal.

O Que É Isso, Companheiro?

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O Que É Isso, Companheiro?, lançado em 1997, é um suspense dirigido por Bruno Barreto e centrado nos dias que cercaram o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick. Nos Estados Unidos, o filme recebeu o título Four Days in September.

A repercussão internacional foi um dos pontos mais marcantes da trajetória da obra. O longa garantiu ao Brasil uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na premiação de 1998, ampliando sua visibilidade fora do país.

A produção foi parcialmente inspirada no livro homônimo de Fernando Gabeira, mas Bruno Barreto optou por tratar a narrativa como uma interpretação ficcional. A decisão tinha o objetivo de não restringir o roteiro apenas à política militar da época e de humanizar a tensão da obra.

Para isso, o diretor manteve em sigilo a identidade de vários guerrilheiros originais e combinou características de pessoas reais da resistência na criação de personagens fictícios. Essa escolha aproximou o filme do suspense político, ao mesmo tempo em que preservou uma relação direta com os acontecimentos que inspiraram a narrativa.

Quando a Tela Brasil foi lançada?

A Tela Brasil começou a funcionar no sábado, 30, durante o Rio2C 2026, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A plataforma pública e gratuita de streaming reúne obras brasileiras e tem acesso por login via Gov.br.

Leia também: Crítica | O Agente Secreto é cinema brasileiro puro com suspense, memória e humor

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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