Adriana é a Vilã | Quem Ama Cuida pode esconder segredos da personagem de Letícia Colin

E se a mocinha de Quem Ama Cuida não for tão inocente quanto parece? A nova novela das nove pode esconder uma grande virada. Adriana pode ser a verdadeira vilã da novela.

A nova novela das nove da TV Globo, Quem Ama Cuida, ainda nem estreou oficialmente, mas sua sinopse já abre espaço para uma das possibilidades mais interessantes da teledramaturgia: e se a grande mocinha da história for, na verdade, a vilã que ainda será revelada?

Prevista para estrear em 18 de maio de 2026, substituindo Três Graças, a novela é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Bruno Segadilha, Julia Laks, Martha Mendonça e Wendell Bendelack. A direção artística é de Amora Mautner, com direção geral de Caetano Caruso.

Divulgação: TV Globo – Gshow

No elenco, a produção reúne nomes de peso como Letícia Colin, Chay Suede, Renato Góes, Isabel Teixeira, Agatha Moreira, Flávia Alessandra, Alexandre Borges, Nathalia Dill e Tony Ramos. Mas é justamente a personagem de Letícia Colin, a fisioterapeuta Adriana de Moraes, que pode carregar o maior mistério da trama.

Pela descrição oficial, Adriana começa como uma mulher marcada por tragédias. Ela perde o emprego, vê uma enchente destruir a casa onde vive com a família e ainda fica viúva após a morte do marido Carlos, interpretado por Jesuíta Barbosa. Sem alternativa, ela passa a sustentar a mãe Elisa, o avô Otoniel e o irmão Mau Mau.

Esse ponto de partida coloca Adriana no lugar clássico da mocinha batalhadora. Ela é a mulher que perdeu tudo, foi empurrada pela vida para uma situação extrema e precisa recomeçar. O público tende a torcer por ela desde o primeiro capítulo, principalmente porque sua trajetória começa no campo da dor, da perda e da sobrevivência.

Mas é justamente aí que Quem Ama Cuida pode esconder sua jogada mais ousada.

A aproximação com Arthur muda tudo

Depois da tragédia, Adriana vai parar em um abrigo e cruza o caminho de Pedro, personagem de Chay Suede. O encontro é rápido, mas intenso, criando uma marca emocional entre os dois. Porém, a vida da protagonista toma outro rumo quando ela consegue emprego na mansão de Arthur Brandão, vivido por Antônio Fagundes.

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Arthur é descrito como um empresário poderoso do ramo de joias. Viúvo, solitário, desconfiado e marcado pelo desaparecimento do único filho, Heitor, ele vive cercado por uma família interessada em sua fortuna. Entre esses parentes estão Pilar, Ulisses, Fábia, Brigitte, Rafael, Ingrid, Silvana, Tiago e outros personagens que orbitam a riqueza dos Brandão.

A relação entre Adriana e Arthur começa conflituosa, mas aos poucos se transforma em confiança, afeto e amizade. Ele vê nela lealdade. Ela vê nele um homem endurecido por fora, mas emocionalmente fragilizado. Com medo de que sua família ambiciosa herde sua fortuna, Arthur toma uma decisão radical: propõe a Adriana um casamento de conveniência.

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Na superfície, a proposta nasce de proteção, gratidão e benignidade. Adriana, dividida entre o orgulho e a necessidade de reconstruir a própria vida, aceita. A família Brandão reprova a união. Otoniel, avô da protagonista, também desconfia do acordo.

Até aqui, a novela parece caminhar por uma estrutura conhecida: a mulher pobre, injustiçada pela vida, entra em uma mansão cheia de interesses, ganha a confiança de um homem rico e passa a ser atacada pelos herdeiros. É um modelo forte de melodrama, mas também é um terreno perfeito para a construção de uma falsa inocente.

O assassinato de Arthur pode ser a chave da virada

A grande reviravolta acontece na noite do casamento. Após oficializar a união com Adriana, Arthur é misteriosamente assassinado. Pilar acusa a nova esposa como principal suspeita, movendo falsas provas e testemunhas para incriminá-la. Entre essas testemunhas está Diná, a governanta que nutre um amor silencioso pelo patrão.

Adriana é julgada em uma corte presidida por Ademir, pai de Pedro, e acaba enviada para o presídio. Ela cumpre seis anos em regime fechado. Quando sai da prisão, não pensa apenas em reconstruir a vida. Seu foco passa a ser a vingança contra aqueles que a incriminaram, especialmente Pilar, que assumiu a fortuna e os negócios de Arthur, e Pedro, que ela acredita ter contribuído para sua condenação.

Esse arco, por si só, já funciona como uma narrativa de injustiça e retorno. A protagonista perde tudo, é acusada de um crime que diz não ter cometido, passa anos presa e volta disposta a acertar contas. A inspiração em O Conde de Monte Cristo reforça essa leitura de vingança, identidade reconstruída e acerto de contas com o passado.

Mas existe outra possibilidade dramatúrgica: Adriana pode não estar voltando para provar inocência. Ela pode estar voltando para terminar um plano.

Adriana pode ser uma vilã escondida em plena luz

A grande força dessa hipótese está na forma como a trama posiciona Adriana. Ela reúne características tradicionais da mocinha, mas também está no centro de todos os elementos que costumam formar uma grande vilã de virada: ascensão social, casamento com homem rico, disputa por herança, morte misteriosa, prisão e retorno vingativo.

A novela já tem uma vilã anunciada, Pilar Brandão, interpretada por Isabel Teixeira. Ela aparece como a figura ressentida, invejosa e interessada na fortuna do irmão. Em uma leitura direta, Pilar seria a antagonista principal, responsável por manipular provas e destruir a vida de Adriana.

isabel teixeira quem ama cuida
Divulgação: TV Globo – Gshow

Só que a existência de uma vilã oficial não impede que a novela esconda outra camada. Pelo contrário: Pilar pode funcionar como a vilã visível, aquela que o público aprende a odiar desde cedo, enquanto Adriana permanece protegida pela imagem de vítima. Essa construção permitiria uma virada mais impactante, caso a protagonista se revele mais calculista do que parecia.

O próprio enredo ajuda essa leitura. Adriana entra na mansão em um momento de vulnerabilidade. Ganha a confiança de Arthur. Aceita um casamento que muda completamente sua posição social. Torna-se alvo direto da família. Arthur morre logo após a cerimônia. Ela é presa. Anos depois, retorna tomada pela vingança.

Se a novela decidir inverter a percepção do público, todos esses acontecimentos podem ganhar outro sentido em flashbacks. O que parecia acaso poderia ser estratégia. O que parecia lealdade poderia ser encenação. O que parecia injustiça poderia ter sido punição por um crime real.

A falsa inocente é um dos grandes motores do melodrama

A ideia de uma protagonista que começa como vítima e depois se revela vilã não é nova, mas continua forte porque mexe diretamente com a confiança do público. Esse tipo de narrativa faz o espectador tomar partido, defender uma personagem e, mais tarde, perceber que foi manipulado junto com os outros personagens.

O modelo lembra a estrutura de A Favorita, em que Flora retorna da prisão como uma mulher aparentemente injustiçada. Durante parte da trama, ela parece ter sido vítima de uma armação. Depois, a novela revela que Flora era a verdadeira assassina, invertendo completamente a leitura da história.

flora era a vila de a favorita globo
Divulgação: TV Globo – Gshow

Também há ecos de personagens como Clara, de Passione, que começa com aparência de boa moça e depois se mostra capaz de crimes por interesse. No cinema, esse tipo de arco aparece em histórias de mulheres que se aproximam de homens ricos, frágeis ou solitários, usando afeto, cuidado e sedução como ferramentas de manipulação.

Em Quem Ama Cuida, a diferença é que Adriana ocupa o lugar de protagonista. Isso torna a possibilidade ainda mais interessante. Se ela for mesmo uma vilã escondida, a novela não estaria apenas revelando uma assassina. Estaria questionando a própria forma como o público reconhece uma mocinha.

O cuidado também pode ser uma máscara

O título Quem Ama Cuida sugere afeto, proteção e entrega. Mas também permite uma leitura mais ambígua. Cuidar de alguém pode ser um gesto de amor, mas também pode ser uma forma de controle. No caso de Adriana e Arthur, o vínculo nasce dentro de uma relação de dependência emocional e material.

Arthur precisa confiar em alguém que não faça parte de sua família interesseira. Adriana precisa recomeçar. Os dois parecem se completar dentro de uma relação baseada em gratidão e proteção. Mas, se a protagonista for revelada como vilã, o título ganha um sentido mais sombrio: quem cuida também observa, conhece fragilidades e pode usar essa intimidade como arma.

As possíveis referências por trás da trama

A estrutura de Quem Ama Cuida também dialoga com várias obras conhecidas do cinema, da literatura e da própria teledramaturgia. A inspiração assumida em O Conde de Monte Cristo aparece no arco da prisão, da volta transformada e da vingança contra quem destruiu a vida da protagonista.

Mas a trama também lembra histórias como Entre Facas e Segredos, em que uma jovem ligada aos cuidados de um homem rico se vê no centro de uma disputa familiar por herança após uma morte misteriosa. A diferença é que, no filme de Rian Johnson, a personagem é conduzida como alguém genuinamente inocente, enquanto a novela pode brincar com a dúvida sobre Adriana.

Outras referências possíveis aparecem no campo do suspense e do melodrama. Filmes como Corpos Ardentes, Seguro de Vida, Viúva Negra e Terapia de Risco trabalham com mulheres que usam fragilidade, sedução ou aparência de vítima para manipular homens, esconder crimes e alterar a percepção do público.

Catherine, de Viúva Negra, e Matty Walker, de Corpos Ardentes, representam o arquétipo da femme fatale: mulheres que usam sedução, mistério e manipulação em tramas marcadas por desejo, crime e interesse.
Catherine, de Viúva Negra, e Matty Walker, de Corpos Ardentes, representam o arquétipo da femme fatale: mulheres que usam sedução, mistério e manipulação em tramas marcadas por desejo, crime e interesse.

Já no universo das novelas, A Favorita é a comparação mais direta quando pensamos em uma personagem que sai da prisão como injustiçada e depois revela uma face muito mais sombria. Passione também entra nessa lista pela figura da mulher aparentemente romântica que se aproxima de um homem rico com interesses ocultos. Essas obras ajudam a entender por que a trajetória de Adriana pode funcionar tão bem caso a novela escolha transformar sua mocinha em ameaça.

Uma protagonista entre mocinha e ameaça

Pelo que foi divulgado, Quem Ama Cuida apresenta Adriana como uma mulher injustiçada. Ela é acusada por Pilar, condenada por falsas provas e enviada à prisão. Essa é a leitura oficial do enredo até agora. Porém, a estrutura da novela permite uma camada de dúvida que pode render uma das viradas mais fortes do horário das nove.

Caso Adriana seja mesmo inocente, a trama seguirá o caminho clássico da heroína que volta para recuperar a própria vida. Mas, se a novela esconder sua verdadeira natureza, Letícia Colin pode interpretar uma protagonista rara: uma vilã construída com a aparência de mocinha.

Essa possibilidade transforma a morte de Arthur no centro moral da novela. Não se trata apenas de descobrir quem matou o milionário. A pergunta mais instigante pode ser outra: Adriana foi vítima de uma armação ou enganou todos desde o começo?

Em uma novela cercada por herdeiros ambiciosos, segredos familiares, casamento de conveniência, fortuna disputada e um assassinato na noite da cerimônia, a resposta pode estar menos no crime em si e mais na personagem que parece ter mais a perder. Ou talvez na personagem que tinha mais a ganhar.

Portanto, aguardemos atualizações ao decorrer dos capítulos. Quem Ama Cuida estreia na TV Globo e na Globoplay na segunda-feira, dia 18 de maio.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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