Unabomber | A história real por trás do filme da Netflix

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Unabomber, novo drama criminal da Netflix, revisita a história de Ted Kaczynski, matemático prodígio que abandonou a vida acadêmica, passou a viver isolado em uma cabana em Montana e realizou uma campanha de atentados com bombas entre 1978 e 1995.

Lançado em 25 de setembro de 2026, o filme tem aproximadamente 1h40 de duração e direção de Janus Metz, com roteiro escrito por Sam Chalsen e Nelson Greaves.

No elenco, Jacob Tremblay interpreta Kaczynski durante a juventude, enquanto Russell Crowe assume o papel do psicólogo de Harvard Henry Murray. Annabelle Wallis aparece como Christiana Morgan e Shailene Woodley interpreta a agente Joanne Miller.

Qual é a história de Unabomber?

Em vez de reconstruir cronologicamente toda a trajetória de Ted Kaczynski, Unabomber divide sua narrativa entre dois períodos.

O primeiro acompanha sua chegada à Universidade Harvard em 1958, quando tinha apenas 16 anos. Extremamente inteligente, mas socialmente deslocado, o jovem Ted acaba se aproximando do professor Henry Murray e participa de experimentos psicológicos conduzidos na instituição.

Imagem promocional de Unabomber (2026)
Divulgação: MRC / via TMDB.

Durante os testes, crenças, ideias pessoais e vulnerabilidades dos participantes eram deliberadamente confrontadas por meio de interrogatórios agressivos.

A outra parte da história acontece décadas depois, quando uma força-tarefa tenta identificar o responsável pelos atentados. A agente Joanne Miller passa a acreditar que analisar a linguagem e as ideias presentes nos textos do terrorista pode revelar mais sobre sua identidade do que depender somente de evidências físicas.

As duas linhas narrativas acabam funcionando de forma paralela. Enquanto a juventude tenta mostrar a formação intelectual e emocional de Kaczynski, a investigação procura compreender justamente essa personalidade para descobrir quem está por trás dos ataques.

A verdadeira história de Ted Kaczynski

Na vida real, Ted Kaczynski começou sua campanha de atentados em 1978. Ao longo de aproximadamente 17 anos, as bombas enviadas por ele mataram três pessoas e feriram cerca de duas dezenas.

O termo UNABOM, que posteriormente originaria o apelido Unabomber, surgiu dentro do próprio FBI. O código fazia referência às palavras UNiversity and Airline BOMbing, já que universidades e companhias aéreas apareciam entre os primeiros alvos investigados.

Uma das maiores mudanças na investigação aconteceu em 1995, quando o manifesto escrito por Kaczynski, com aproximadamente 35 mil palavras, foi publicado.

Seu irmão, David Kaczynski, identificou semelhanças entre aquele texto e materiais escritos anteriormente por Ted. A comparação linguística se tornou parte importante das evidências utilizadas para conseguir o mandado de busca que levou à prisão de Kaczynski em 3 de abril de 1996.

Os experimentos de Harvard realmente aconteceram?

Um dos elementos centrais de Unabomber tem origem em acontecimentos reais.

O roteirista Nelson Greaves contou que a ideia para o filme surgiu depois de ouvir no rádio uma pequena história mencionando que Kaczynski havia participado, enquanto estudava em Harvard, de experimentos psicológicos controversos conduzidos por Henry Murray.

Greaves e Sam Chalsen também estudaram em Harvard e perceberam nesse episódio uma maneira diferente de abordar uma história que já havia sido extensamente documentada.

Imagem promocional de Unabomber (2026)
Divulgação: MRC / via TMDB.

Os experimentos realmente existiram. Pesquisas realizadas posteriormente nos arquivos da universidade indicaram que Murray estudava as respostas humanas ao estresse e submetia participantes a interrogatórios deliberadamente agressivos.

Antes dos confrontos, os participantes forneciam informações sobre suas crenças e seus valores. Esses mesmos posicionamentos eram posteriormente utilizados durante as sessões para provocar reações. Ted Kaczynski esteve entre os estudantes submetidos ao procedimento.

Os experimentos transformaram Kaczynski no Unabomber?

É justamente nesse ponto que Unabomber começa a misturar fatos documentados com interpretação dramática.

Não existem evidências conclusivas de que os experimentos realizados por Henry Murray tenham transformado Kaczynski no terrorista que posteriormente seria conhecido como Unabomber.

O próprio Kaczynski afirmou posteriormente que sua participação nos testes de Murray não teve efeito significativo sobre o rumo de sua vida.

A aproximação feita pelo filme entre essa experiência universitária e sua radicalização posterior deve, portanto, ser entendida como uma interpretação narrativa dos roteiristas, e não como uma relação de causa e consequência historicamente comprovada.

A relação entre Kaczynski e Murray também foi ampliada para a produção. O roteirista Sam Chalsen reconheceu que não existem evidências de que a convivência entre os dois tenha acontecido exatamente da maneira mostrada no longa.

Joanne Miller existiu?

Outro ponto importante para entender a diferença entre realidade e ficção está na investigação policial.

Joanne Miller, personagem interpretada por Shailene Woodley, não existiu.

A Netflix reconhece que Miller e outros agentes centrais apresentados nessa parte da narrativa são personagens ficcionalizados.

Segundo os roteiristas, vários acontecimentos mostrados durante a investigação foram inspirados em fatos reais, mas os personagens responsáveis por conduzir essa parte da história e muitos dos conflitos apresentados foram criados especificamente para o filme.

Jacob Tremblay interpreta o jovem Ted Kaczynski

A escolha de Jacob Tremblay para interpretar Kaczynski também chama atenção dentro da produção.

Conhecido desde a infância por trabalhos como O Quarto de Jack e Extraordinário, o ator foi escolhido pelo diretor Janus Metz depois que o cineasta assistiu à sua atuação em Sovereign, lançado em 2025.

Metz afirmou que praticamente não considerou outro ator para o papel.

Tremblay explicou que procurou evitar uma representação do jovem Ted como uma espécie de “supervilão”. A intenção era interpretar uma pessoa que, naquele momento da vida, ainda não havia se transformado no homem que seria posteriormente identificado como Unabomber.

Russell Crowe, por sua vez, interpreta Henry Murray como uma presença intelectual, sedutora e ameaçadora. Os encontros entre Murray e Kaczynski aparecem entre os momentos mais destacados por algumas das próprias críticas negativas ao filme.

Como foi a recepção de Unabomber?

A recepção crítica inicial de Unabomber, registrada apenas um dia depois de sua estreia, começou predominantemente negativa e ainda deve ser considerada provisória.

O Rotten Tomatoes aparecia com aproximadamente 29% de aprovação entre os críticos, mas baseado em um número ainda reduzido de resenhas. A porcentagem pode mudar à medida que novas avaliações forem contabilizadas.

Entre as críticas publicadas, uma percepção recorrente é de que a premissa utilizada pelo longa desperta mais interesse do que sua execução.

O Hollywood Reporter considerou que o filme apresenta uma abordagem excessivamente simples para uma pergunta bastante complexa: o que levou Ted Kaczynski à radicalização?

Avaliações reunidas pelo Independent registraram duas estrelas dadas pelo Telegraph e três pelo Radio Times. Este último apontou que as duas linhas temporais podem transmitir a sensação de pertencerem a episódios separados de uma minissérie.

O RogerEbert.com também apresentou uma avaliação bastante negativa. O veículo criticou a maneira como o filme utiliza as vítimas para construir suspense e questionou a tentativa de estabelecer os experimentos conduzidos por Murray como uma explicação psicológica relativamente direta para o comportamento posterior de Kaczynski.

Mesmo assim, a publicação destacou momentos envolvendo Jacob Tremblay e Russell Crowe, principalmente quando os dois atores dividem a cena.

O dilema envolvendo a história de Unabomber

Parte das discussões em torno do longa está justamente na tentativa de compreender como uma pessoa chega a posições extremistas sem transformar essa investigação em justificativa para seus crimes.

Historicamente, associar diretamente os experimentos sofridos pelo jovem Kaczynski ao terrorismo praticado décadas depois cria uma relação muito mais simples do que as evidências disponíveis permitem estabelecer.

É nesse limite entre reconstrução histórica e interpretação dramática que o filme desenvolve sua principal discussão.

A trajetória de Kaczynski também permite que Unabomber passe por assuntos como tecnologia, isolamento, instituições acadêmicas, radicalização e a procura por explicações simples para comportamentos extremos.

Assista ao trailer:

Existe ainda uma coincidência temática com o momento de lançamento. Em 2026, quando inteligência artificial, automação, privacidade e dependência tecnológica continuam ocupando espaço nos debates públicos, chega à Netflix um filme sobre um homem cuja ideologia estava diretamente associada a uma rejeição radical da sociedade industrial e tecnológica.

Por isso, Unabomber funciona melhor quando entendido como uma dramatização baseada em acontecimentos documentados, mas que também utiliza personagens fictícios e hipóteses psicológicas controversas para construir sua narrativa.

Conhecer a história real de Ted Kaczynski ajuda justamente a identificar quais elementos apresentados pela produção possuem documentação histórica e quais fazem parte da interpretação construída pelos roteiristas.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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