Review | Faça Ela Voltar: A24 mergulha no luto com um terror visceral e perturbador

Eu já perdi a conta de quantas vezes disse que sou fã das produções da A24, Hereditário e Midsommar vivem no meu coração como referências máximas do terror psicológico contemporâneo. Então, quando Bring Her Back entrou em cartaz, eu já sabia que viria algo denso, incômodo e impossível de ignorar. E sim, acertei em cheio.

Esse não é o tipo de terror que se apoia em jumpscares de baixo orçamento ou em fórmulas estereotipadas. Ele é cruel na medida certa: mistura gore, body horror e uma atmosfera psicológica sufocante que te prende não pela vontade de olhar, mas pela dificuldade de desviar os olhos. São cenas que grudam na mente e te acompanham dias depois, e é justamente aí que mora a genialidade do filme. No fundo, a história é sobre luto. Só que não aquele luto “romantizado” ou digerido pela ficção, mas um luto bruto, que dói, corrói e te faz tomar decisões irracionais. O filme gira em torno da pergunta: até onde você iria para trazer de volta alguém que ama? A resposta, claro, não é simples, e o roteiro tem a coragem de não entregar nada mastigado. Ele te deixa no desconforto, entre a empatia e a repulsa.

Imagem: Divulgação A24

A fotografia é de tirar o fôlego: sombria, carregada de simbolismos, e ao mesmo tempo claustrofóbica. A edição brinca com imagens de cultos e rituais que não estão lá só pelo choque, mas como uma forma de guiar a narrativa e ampliar a sensação de que estamos presos em um delírio coletivo. Cada detalhe da ambientação parece pensado para manter o espectador em constante estado de alerta. E eu preciso falar: Jonah Wren Phillips, como Ollie, simplesmente entregou tudo. É uma atuação visceral, que te dá a impressão de que ele não estava apenas interpretando, mas vivendo aquele tormento. Daquelas performances que viram a alma de um filme.

Imagem: Divulgação A24

Agora, um aviso justo: Bring Her Back não é para quem busca ritmo acelerado. O filme é lento, propositalmente arrastado, e essa cadência pode irritar quem prefere terror mais “objetivo”. Mas, sinceramente, essa demora é o que torna o final tão devastador. O filme cozinha a tensão aos poucos, até o ponto em que você percebe que já está dentro da espiral junto com os personagens. No fim, A24 faz o que sabe fazer de melhor: transformar o terror em um espelho. Não é sobre monstros, seitas ou corpos dilacerados, é sobre nós mesmos, nossas obsessões e a incapacidade de deixar ir. Bring Her Back não só assusta, ele incomoda, perturba e obriga a olhar para a dor sem filtro. É o tipo de filme que prova que a produtora nunca erra.

Faça Ela Voltar (Bring Her Back) estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 21 de agosto.

Review escrito por Nataly Vaz – sob a supervisão de Robson Netto.

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