Depois do Fogo é um filme sobre perda, lar e reconstrução após incêndio devastador. Conheça trama, elenco e detalhes da produção.
Lançado originalmente como Rebuilding, o novo trabalho de Max Walker-Silverman acompanha um homem que perde tudo em um incêndio florestal e precisa reaprender o que significa ter um lar. Mais do que um drama sobre desastre, o filme se concentra no que acontece depois que o fogo apaga.
O que é o filme Depois do Fogo
Dirigido e escrito por Max Walker-Silverman, este é o segundo longa do cineasta, que já havia explorado paisagens e personagens solitários em A Love Song (2022).
Classificado como um drama de atmosfera de faroeste contemporâneo, o filme combina elementos do western clássico com uma abordagem intimista. A proposta não é revisitar duelos ou confrontos armados, mas observar personagens que enfrentam perdas silenciosas, marcadas pela devastação ambiental e pela fragilidade econômica.
Assista ao trailer:
Estreia nos cinemas e passagem por festivais
Depois do Fogo teve sua estreia mundial no Festival de Sundance 2025, na seção Premieres, um espaço tradicionalmente dedicado a produções independentes com forte identidade autoral. A recepção no circuito internacional incluiu exibições em festivais como Deauville, Seattle e Valladolid.
No Brasil, o filme também integrou a programação do Festival do Rio, na Mostra Expectativas, voltada a novos cineastas e descobertas do cinema independente.
A estreia comercial nas salas brasileiras acontece em 26 de fevereiro, inserindo o longa no calendário nacional de lançamentos.
Esse percurso reforça o posicionamento do filme como uma obra de circuito autoral, com trajetória consolidada em festivais antes de chegar ao público mais amplo.
A história: o que acontece depois do incêndio
O centro do filme Depois do Fogo é Dusty, interpretado por Josh O’Connor. Ele é um rancher reservado, divorciado, que vê sua vida virar cinza quando um incêndio florestal destrói o rancho, a casa e o gado. A perda não é apenas material. É também simbólica, pois o rancho representava identidade, herança e pertencimento.

Sem propriedade para oferecer como garantia, Dusty enfrenta a recusa do banco em financiar a reconstrução. O que resta é a mudança para um conjunto de trailers e moradias provisórias ligadas a programas governamentais para deslocados por desastres.
O filme não se detém nas chamas. Ele começa, de fato, quando o fogo já passou. O foco está na burocracia, no luto material e na sensação de desamparo que surge quando tudo o que estruturava uma vida desaparece de forma abrupta.
Paralelamente, Dusty tenta se reconectar com a filha pequena, Callie-Rose, enquanto lida com a relação tensa com a ex-mulher Ruby e com a ex-sogra Bess. Surge então o dilema central: reconstruir o rancho a qualquer custo ou aceitar que a vida pode ter seguido por outro caminho.
Temas centrais do filme Depois do Fogo
O filme trabalha a ideia de “depois do fogo” como metáfora e como realidade concreta. A narrativa explora o que sobra quando o desastre deixa apenas cinzas e dívidas. Em vez de transformar a história em um drama de tribunal ou denúncia direta, o roteiro opta por observar o cotidiano de quem precisa reorganizar a própria existência.
Um dos temas mais fortes do filme é o conceito de lar. Max Walker-Silverman parte da pergunta sobre como um lugar que já queimou por completo e pode voltar a queimar ainda pode ser chamado de casa. O fogo aparece como algo cíclico e inevitável, mas não como definidor absoluto da identidade de seus personagens.
Outro ponto importante é a relação entre comunidade e individualismo. Dusty começa a história como um cowboy solitário, habituado à autossuficiência. No acampamento de trailers, ele é obrigado a conviver com outros deslocados por desastres e a reconhecer a importância da rede de apoio.
A crítica estrangeira descreve o filme como um drama gentilmente humanista, com ritmo calmo e contemplativo. Em vez de grandes reviravoltas, o filme aposta em microgestos, silêncios e pequenas reconciliações.
Elenco e personagens
Josh O’Connor interpreta Dusty com um registro contido. Conhecido por seu trabalho em The Crown, o ator constrói um personagem de poucas palavras, cuja transformação é mais interna do que externa.
Lily LaTorre vive Callie-Rose, a filha que se torna o eixo emocional da tentativa de reconstrução familiar. Meghann Fahy interpreta Ruby, a ex-mulher dividida entre proteger a filha e lidar com as frustrações do passado. Amy Madigan assume o papel de Bess, a ex-sogra que mistura dureza e proteção, marcada por perdas anteriores.

O elenco de apoio inclui moradores do acampamento e pessoas afetadas pelos incêndios, formando um mosaico de histórias que transforma a comunidade quase em um personagem coletivo.
Estilo visual e bastidores
Filmado em paisagens desérticas e montanhosas do oeste dos Estados Unidos, especialmente no Colorado, o filme contrasta horizontes amplos com os espaços apertados dos trailers. A fotografia privilegia planos estáticos e longos, com cores mais lavadas após o incêndio, criando a sensação de um mundo coberto de cinzas.
A luz natural desempenha papel importante na construção da atmosfera. O resultado é um western afetivo, distante dos códigos tradicionais do gênero, mas ainda profundamente ligado à paisagem e à solidão do oeste americano.
A inspiração do diretor vem de um incêndio real que destruiu a antiga casa de sua avó no Colorado. A experiência pessoal serviu de ponto de partida para refletir sobre perda, memória e reconstrução emocional.
Para quem acompanha o cinema independente americano e narrativas que exploram temas como lar, reconstrução e comunidade, o filme Depois do Fogo surge como um retrato sensível de um tempo marcado por crises ambientais e deslocamentos.
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Com informações da assessoria.



