Crítica | Operação Vingança: quando a genialidade vence a força

O quebra-cabeça de espionagem e ação traz o vencedor do Oscar Rami Malek em um papel convincente como Charles Heller, um criptógrafo da CIA que, mesmo sem treinamento em campo, embarca em uma missão pessoal de vingança que desafia os limites entre o certo e o errado.

Operação Vingança (título original The Amateur) é um thriller que não entrega tudo de bandeja — mas conduz o espectador por caminhos tortuosos, imprevisíveis e emocionais.

Logo nas primeiras cenas, somos apresentados à rotina tranquila de um casal americano, que vive em um típico subúrbio de classe média. Charles, introspectivo e meticuloso, é casado com a doce e carismática interpretada por Rachel Brosnahan, que está prestes a embarcar para uma conferência internacional. O clima é de normalidade, com diálogos afetuosos e gestos sutis que constroem rapidamente a intimidade do casal, preparando o terreno emocional para o que está por vir.

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Divulgação: Disney e 20th Century Studios.

A direção acerta ao evidenciar, já nesse começo, a maior arma de Heller: sua mente. Sua habilidade de construir, conectar, decodificar e compreender padrões é tão natural quanto respirar. E é justamente por isso que ele ocupa um cargo estratégico no setor de inteligência da CIA, atuando nos bastidores, lidando com códigos, mensagens encriptadas, vigilância e monitoramento de ameaças.

Durante o expediente, Heller mantém contato com uma fonte confidencial conhecida apenas como “O Inquilino”, um informante que fornece dados sigilosos e expõe podres internos da própria agência. Aparentemente, há algo corrupto no coração da CIA — e essa revelação atinge Heller num momento de total vulnerabilidade: sua esposa está em Londres, representando os interesses americanos em uma conferência internacional. É aí que o profissional se vê dividido entre continuar ouvindo sua fonte ou se desligar completamente para focar no que mais ama.

Mas tudo desmorona quando, logo no dia seguinte, Heller é convocado à diretoria para ser informado de um ataque terrorista devastador no hotel onde a esposa estava hospedada. Segundo os superiores, ela foi feita refém e, em seguida, executada pelos radicais. Abalado, Heller tenta encontrar respostas — mas o descaso da agência e a falta de interesse em investigar o ocorrido o fazem perceber que algo está errado.

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Divulgação: Disney e 20th Century Studios.

Em luto e tomado por uma dor avassaladora, ele começa a investigar por conta própria. Seu instinto lógico e sua inteligência afiada não o deixam parar. Cruzando dados, mapas e mensagens cifradas, Heller se dá conta de que o ataque pode ter sido facilitado — ou até mesmo autorizado — por membros da própria CIA, como parte de uma operação encoberta. A partir daí, o filme muda completamente de tom.

O nome original, The Amateur, pode sugerir a fraqueza do amadorismo, mas é uma ironia proposital: embora seja amador no campo de batalha, Heller é um mestre no jogo mental. Sua primeira jogada é ousada — ele ameaça divulgar os segredos da agência caso não o treinem como agente de campo. Sua chantagem coloca a CIA contra a parede e abre espaço para que ele seja preparado por Henderson, um veterano vivido com firmeza por Laurence Fishburne.

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Divulgação: Disney e 20th Century Studios.

Henderson funciona como mentor e âncora emocional do protagonista. Enquanto Heller aprende o básico sobre operações em campo, o espectador acompanha uma transformação: o nerd dos códigos se torna, com esforço e dor, um homem disposto a cruzar fronteiras para fazer justiça. Importante destacar que o roteiro não romantiza essa jornada. Heller continua inseguro, frágil e despreparado para lutas físicas — mas é justamente sua criatividade e imprevisibilidade que o tornam perigoso.

A partir daí, a narrativa acelera. Heller embarca numa perseguição internacional, com cenas que se desenrolam entre diferentes países, sistemas de segurança e redes de terroristas. Cada passo é um teste, cada pista é uma peça do quebra-cabeça, e cada confronto é mais cerebral do que físico. O filme se equilibra bem entre ação, drama e um humor sutil que aparece nos momentos de tensão máxima, sem jamais quebrar o clima.

Rami Malek entrega mais uma performance densa e cheia de camadas. O seu Charles Heller é um personagem que não nasceu para ser herói, mas que se transforma num símbolo de resistência contra a corrupção e o cinismo institucional. Sua dor nunca é esquecida, mesmo quando ele está agindo estrategicamente. Há sempre uma sombra em seus olhos — e isso é mérito do ator, que transforma silêncio em emoção.

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Divulgação: Disney e 20th Century Studios.

Laurence Fishburne é um acerto de elenco. Seu personagem representa a velha guarda, o homem que conhece os bastidores da agência e que, de certa forma, vê em Heller uma segunda chance de fazer o que é certo. A química entre os dois funciona bem, e suas cenas juntos equilibram emoção e técnica.

Outro destaque é Jon Bernthal, que faz uma participação menor, mas significativa. Seu personagem representa o outro lado da moeda: o agente padrão, musculoso, bruto, com uma visão pragmática da missão. Sua presença serve como contraponto ao protagonista e reforça a ideia de que a verdadeira força pode estar na mente — não nos músculos.

A direção de James Hawes é precisa. Ele consegue fazer com que o espectador se sinta parte da investigação, usando planos fechados, cortes rápidos e uma trilha sonora que amplifica a tensão. Ainda que o roteiro de Gary Spinelli caminhe por terrenos conhecidos — vingança pessoal, traição interna, agente improvável que se torna herói —, há frescor na maneira como os elementos são apresentados.

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Divulgação: Disney e 20th Century Studios.

O filme levanta questões importantes: até que ponto o sistema protege ou destrói seus próprios agentes? A justiça pode mesmo ser feita por mãos sujas? E o quanto estamos dispostos a perder para obter respostas?

Operação Vingança é mais do que um filme de ação. É uma história sobre dor, transformação e resistência. E se depender da qualidade entregue aqui, talvez seja mesmo o início de uma nova franquia. Afinal, quem disse que vingança não pode ser planejada com inteligência?

Operação Vingança estreia nos cinemas no dia 10 de abril.

Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa a convite da Disney e 20th Century Studios.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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