Crítica | Nosso Lar 2 se aprofunda em histórias de amor e perdão enquanto ensina lições da doutrina espírita

Sequência responde questões importantes de como ficam aqueles que não cumpriram sua missão.

Nosso Lar 2 – Os Mensageiros”, dirigido e roteirizado por Wagner de Assis, é a sequência do sucesso de 2010 que retorna às salas de cinema em todo o Brasil em 25 de janeiro de 2024.

O filme é uma produção da Cinética Filmes, em coprodução com Star Original Productions, distribuído pela Star Distribution e com o apoio da Globo Filmes. Baseado no best-seller “Os Mensageiros”, de Chico Xavier, o filme traz uma história de amor, perdão e fé.

O enredo acompanha o médico André Luiz (Renato Prieto), que se junta a um grupo de espíritos mensageiros da cidade espiritual Nosso Lar, liderados por Aniceto (Edson Celulari), na missão de ajudar a salvar projetos de vidas que estão prestes a fracassar. Entre eles estão Otávio (Felipe de Carolis), Isidoro (Mouhamed Harfouch) e Fernando (Rafa Sieg).

Diferentemente do primeiro filme, “Nosso Lar 2 – Os Mensageiros” se passa em grande parte no mundo dos vivos, na Terra, e não na cidade espiritual de Nosso Lar. Os personagens principais são os espíritos de Aniceto, André Luiz e Vicente, o trio de espíritos mensageiros que recebe o apoio de Antônio (Nando Brandão) e Isaura (Aline Prado).

Além das ricas mensagens espirituais, o longa oferece uma abordagem curiosa ao explorar a dinâmica entre esses seres, revelando que, mesmo no plano espiritual, a perfeição não é universal. Os personagens mantêm pendências e necessidades emocionais de suas experiências terrenas. A atuação irrepreensível de Fábio Lago, que interpreta Vicente, é especialmente marcante nesse aspecto. Através dele, percebemos como até mesmo espíritos que aparentam estar em um estágio avançado de evolução continuam a empregar falas e jargões que carregam consigo resquícios de suas vidas passadas.

Essa abordagem sutil acrescenta uma camada de humanidade aos personagens espirituais, desafiando a visão simplista de espíritos como seres perfeitos e desprovidos de imperfeições. As nuances emocionais e os vestígios da existência terrena presentes nos diálogos e comportamentos dos personagens revelam uma profundidade surpreendente, elevando a trama a um patamar mais humano e complexo.

No entanto, um aspecto que não passa despercebido é a aparente estagnação nos elementos visuais do filme. Os gráficos parecem não ter evoluído significativamente desde o filme de 2010, e os cenários digitais apresentam excesso de cores, elementos borrados e falhas notáveis.

A narrativa, por outro lado, mergulha nas questões filosóficas que permeiam a doutrina espírita. O filme tem como abordagem principal o destino dos espíritos que não cumpriram suas missões espirituais, o relacionamento entre espíritos que se conheciam em vidas passadas e questões sobre o livre arbítrio. Detalhes específicos, como a habilidade dos espíritos voarem (volitarem) e a não interferência no livre arbítrio humano, complementam a lista de curiosidades apresentadas na franquia.

Nota-se uma leve referência aos casos de médiuns e falsos médiuns que acabam desonrando seus dons e fugindo da sua missão, como o famoso caso real do médium brasileiro João de Deus, que repercutiu na mídia por conta dos inúmeros casos de assédio, estupro e outros crimes.

Outras lições importantes são apresentadas durante o filme, como por exemplo as Leis de Causa e Efeito, o desdobramento dos encarnados para o mundo espiritual em sonhos, a famosa “melhora da morte” em pacientes que estão muito doentes e de alguma forma melhoram para se despedir da família. Essas representações cinematográficas desses princípios doutrinários proporcionam uma oportunidade para os espectadores refletirem sobre aspectos mais profundos da existência humana.

Uma grande frase dita pelo espírito Aniceto marca um momento importante do filme: “Não cortem o que puderem desatar”. Essa frase ressoa ao longo da narrativa e serve como um lembrete de que devemos sempre buscar a reconciliação e o perdão, em vez de cortar laços e relações.

Embora o primeiro filme ter tido como protagonista o espírito de André Luiz (Renato Pietro), nesta sequência o destaque fica com Edson Celulari como Aniceto e uma excelente atuação do ator Felipe de Carolis, como o jovem médium desencarnado Otávio, dupla que acrescenta uma profundidade emocional significativa.

“Nosso Lar 2 – Os Mensageiros” é um filme que, apesar das lacunas nos elementos visuais cenográficos, ganha com a riqueza das questões abordadas e a atuação cativante do elenco, tornando  esse filme uma experiência valiosa para os admiradores da doutrina espírita e para aqueles em busca de reflexões mais profundas sobre a vida e a espiritualidade.

Como Aniceto nos lembra, “O Mundo precisa de Histórias Felizes”. E, de fato, este filme oferece uma história que, apesar de suas dificuldades e desafios, é, em última análise, uma história de amor e perdão.

Nosso Lar 2 – Os Mensageiros entra em cartaz nos cinemas no dia 25 de janeiro.

Ficha técnica

Direção, Roteiro e Produção: Wagner de Assis
Produção: Iafa Britz
Produção Executiva: Richard Avila / Camila Medina
Direção de Fotografia: Lilis Soares
Direção de Arte: Ula Schliemann
Figurino: Reka Koves
Maquiagem: Juliana Mendes
Edição: Lívia Pimentel / Zeca Esperança
Trilha Sonora: Guto Graça Mello
Desenho de Som: PC Azevedo
Produtores Associados: Elizabeth Marinho / Luiz Augusto de Queiroz / Luis Erlanger
Produção: Cinética Filmes
Coprodução e Distribuição: Star Original Productions

Elenco

Edson Celulari
Fabio Lago
Aline Prado
Nando Brandão
Vanessa Gerbelli
Fernanda Rodrigues
Mouhamed Harfouch
Felipe de Carollis
Rafa Sieg
Ju Colombo
Julianne Trevisol
Letícia Braga
Maria Volpe
Thales Miranda
Renato Prieto como André Luiz
Participação Especial: Othon Bastos

Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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