Crítica | MaXXXine é uma estrela e a culpa é da Mia Goth

MaXXXine é uma excelente adição à trilogia X e vai além disso, trazendo uma nova história que se destaca não apenas pela narrativa, mas também pelo tom, pelas referências e pelas homenagens aos filmes do gênero slasher e outros do terror.

Nesta sequência, encontramos Maxine Minx (Mia Goth), a protagonista, algum tempo após os acontecimentos de X – A Marca da Morte (2022). No novo filme, ela mostra um crescimento significativo na indústria do cinema pornográfico, sendo considerada uma das atrizes de maior sucesso e com muitos fãs. No entanto, Maxine almeja algo maior: ser uma estrela de Hollywood. O filme inicia com ela fazendo um teste decisivo para uma nova produção em um grande estúdio, sob a direção da renomada diretora Elizabeth Bender (Elizabeth Debicki).

MaXXXine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)

Mesmo que este seja o primeiro contato do espectador com a personagem, a narrativa consegue agradar e entrega presença o suficiente de sua personalidade e evolução, mostrando uma Maxine mais forte e determinada.

Os traumas do passado de Maxine, sendo a única sobrevivente dos eventos do filme anterior, continuam a afetá-la em momentos críticos, adicionando camadas à sua construção como personagem. Este aspecto é uma jogada inteligente, que evita que Maxine pareça uma nova personagem sem um histórico de luta e sobrevivência.

Narrativamente, o filme se desenrola bem, situando a protagonista em uma Los Angeles dos anos 1980, que enfrenta problemas de segurança devido à presença de um misterioso assassino à solta. O roteiro mistura referências a cultos satânicos e crimes típicos da época nos Estados Unidos, criando um pano de fundo intrigante. A verdadeira ameaça, no entanto, é o desafio de Maxine em se tornar uma grande estrela, com o filme explorando sua determinação e força, enquanto resolve as pendências do seu passado.

Mia Goth e Halsey em MaXXXine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)

A conquista do papel pela personagem principal da nova produção de Hollywood não é sem complicações. Ela se vê envolvida em uma série de crimes, com as primeiras vítimas sendo pessoas próximas a ela. Isso atrai a atenção de dois detetives que investigam os assassinatos, oferecendo uma dinâmica interessante e cômica que lembra os arquétipos clássicos de duplas de detetives em filmes, interpretados por Bobby Cannavale e Michelle Monaghan.

A chegada de um detetive particular contratado por um cliente misterioso, interpretado por Kevin Bacon, adiciona mais tensão à trama. Sua atuação é magnífica e convincente, fazendo o público sentir raiva do personagem, o que é um mérito da performance do ator.

Giancarlo Esposito em Maxxxine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)

Ao mesmo tempo, Giancarlo Esposito como Teddy Knight, o advogado e agente de Maxine, oferece uma presença contrastante, mais confiável ainda que seja difícil. Giancarlo Esposito traz uma autoridade natural ao seu papel, tornando-o um equilíbrio perfeito para a imprevisibilidade de Kevin Bacon. A dinâmica entre esses dois atores é um dos aspectos mais marcantes do filme, elevando significativamente a qualidade das performances que, é claro, terminam em muito sangue.

Maxxxine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)
MaXXXine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)

A interpretação de Mia Goth merece destaque especial. Já conhecida pelos filmes anteriores da trilogia, ela entrega uma atuação fantástica como Maxine. Não é apenas pelo grito ou pelo sotaque, mas pela força, deboche, raiva e determinação que ela imprime em suas personagens. Sua performance é digna de prêmios, mostrando uma evolução notável que deveria ser reconhecida pelo Oscar, mesmo que filmes de terror raramente sejam premiados.

Em termos de cenário e produção artística, MaXXXine é uma obra audiovisual nostálgica e encantadora, trazendo referências que agradam até mesmo os fãs de Psicose (1960). A trilha sonora é envolvente e impactante, complementando a produção de forma digna de Hollywood. O enredo constrói um mistério envolvente sobre a identidade do assassino, com pistas sutis ao longo do filme. A revelação final pode ser vista como exagerada ou confusa por alguns, mas ainda surpreendente e coerente dentro da história.

Apesar de alguns exageros nas interpretações e cenas gráficas violentas, que podem parecer clichês do gênero, Maxxxine é uma entrega sólida para a trilogia.

Maxxxine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)
Maxxxine | Imagem: Universal Pictures (Divulgação)

A direção de Ti West em MaXXXine é um dos destaques do filme, evidenciando seu talento em equilibrar o terror com uma narrativa envolvente e complexa. West demonstra uma maestria ao criar uma atmosfera que mistura nostalgia e inovação, utilizando-se de técnicas de filmagem que homenageiam os clássicos do gênero slasher enquanto introduz elementos contemporâneos que revitalizam o terror. Seu cuidado com a ambientação dos anos 1980, aliado a uma direção de arte impecável, transporta o espectador para a época e intensifica a imersão na história.

Ti West consegue extrair performances poderosas de seu elenco, especialmente de Mia Goth, elevando a experiência cinematográfica a um novo patamar. A combinação de movimentos de câmera precisos, enquadramentos estratégicos e uma edição dinâmica reforça a tensão e o suspense, mantendo o público na ponta da cadeira do início ao fim. MaXXXine é um ótimo filme, uma adição de peso à franquia que certamente agradará muitos fãs. A atuação de Mia Goth é um destaque e torna o filme um terror envolvente e divertido de assistir.

Ela, sem dúvida, é uma estrela.

MaXXXine chega aos cinemas brasileiros no dia 11 de julho.

Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa a convite da Universal Pictures.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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