Crítica | Evidências do Amor é uma homenagem às boas memórias

Quando os protagonistas de um filme são interpretados por um dos comediantes mais renomados dos últimos anos e uma cantora que simboliza uma geração de românticos, as expectativas são altas.

Esta crítica contém potenciais spoilers do filme “Evidências do Amor”.

“Evidências do Amor” não é apenas uma homenagem à música de José Augusto e Paulo Sérgio Valle, erroneamente atribuída por muitos a Chitãozinho e Xororó, mas também presta tributo a outros clássicos musicais e referências cinematográficas, tecidas ao longo da narrativa e fazem parte da cultura popular brasileira.

O filme apresenta o casal Marco (Fábio Porchat) e Laura (Sandy Leah) no momento em que se conhecem em um karaokê e descobrem um interesse mútuo pela canção “Evidências”.

Marco, interpretado por Porchat, é um personagem extrovertido e brincalhão, mas também egoísta e perfeccionista, negligenciando os sentimentos de Laura. Após várias tentativas frustradas de se abrir para Marco, Laura decide terminar o noivado.

Após o término, o filme avança um ano, mostrando um Marco mais solitário e menos dedicado ao seu trabalho como desenvolvedor de aplicativos. Ele se vê preso em um “loop temporal” que o leva a reviver suas memórias sempre que ouve a canção “Evidências”.

A cada viagem, Marco é transportado para suas memórias de brigas e discussões que, como peças de um quebra-cabeça, revelam os motivos que levaram ao término com Laura. Essas viagens proporcionam momentos de riso quase garantidos.

Uma adição valiosa ao elenco é a atriz e comediante Evelyn Castro, que interpreta Júlia, amiga de Marco que o ajuda durante essas viagens, esclarecendo questões que Marco não percebe.

A direção de Pedro Antônio Paes (Tô Ryca, Um Tio Quase Perfeito), que também assina o roteiro ao lado de Luanna Guimarães, Alvaro Campos e Fabio Porchat, consegue criar uma história que convence com a união do humor e da nostalgia, tirando o melhor dos dois comediantes, mesmo que eles interpretem a si mesmos nestes personagens (e isso é ótimo para Evidências do Amor).

Indispensável comentar a qualidade técnica visual de Pedro Faerstein, diretor de fotografia, o filme é de fato muito atraente.

Sandy se esforça para criar uma personagem cativante como Laura, mas há momentos em que a intensidade do diálogo com Porchat a desafia. No entanto, Laura, sendo uma artista, encanta com suas performances musicais, equilibrando o filme e tornando-o uma comédia romântica memorável. É claro, é a Sandy.

O filme acerta ao revelar apenas no segundo ato que Laura também está passando pelo mesmo loop temporal que Marco, mas, sendo transportada para suas memórias felizes com Marco sempre que ouve a música, já que foi ela quem decidiu terminar o relacionamento.

Surpresas e participações especiais são comuns em filmes do gênero, o que já se podia esperar em Evidências do Amor, incluindo a do compositor José Augusto como ele mesmo e da atriz Fernanda Paes Leme, um possível interesse amoroso em um encontro potencialmente desastroso, que vem para complementar o enredo cômico.

As referências a filmes como “A Origem(Inception, 2010), que brinca com a ideia de sonhos lúcidos, e outros filmes que exploram a viagem no tempo, são pontos que adicionam uma jogada interessante com as memórias do próprio espectador. Outra referência que se vê em filmes em que a nudez é parcialmente mascarada por elementos do próprio cenário, comum em filmes como Austin Powers, foi usada com perfeição na cena em que Marco ousa em uma de suas memórias.

O momento mais importante do filme não se apoia na comédia, mas sim na nostalgia e no poder de uma lembrança. A cena lembra muito uma vista no filme “Click”, de Adam Sandler, onde Marco se vê diante de um familiar já falecido em uma das memórias que, diferente do clássico de 2006, permitem que o protagonista interaja com ele, criando uma cena profunda e tocante.

Evidências do Amor”, produzido pela Framboesa Filmes e distribuído pela Warner Bros. Pictures, mais do que uma homenagem às boas memórias, é também uma lição direta sobre a importância de observar, aceitar e arriscar-se a viver o amor, por mais louco que possa parecer.

O filme estreia nos cinemas no dia 11 de abril.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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