Crítica | 13 Sentimentos de encontros e desencontros de quem busca o amor

Com seu foco nos encontros, desencontros e a eterna busca pelo amor, o longa deixa o público com uma sensação de esperança e curiosidade sobre o que o futuro pode trazer, ampliando o panorama do cinema nacional LGBT.

Daniel Ribeiro, aclamado por “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, retorna aos cinemas com “13 Sentimentos”, um filme que explora com delicadeza e complexidade as nuances dos relacionamentos modernos no cenário LGBT.

Produzido pela Lacuna Filmes, Claraluz Filmes, Canal Brasil e Telecine, e protagonizado por Artur Volpi, o longa nos leva a um mergulho profundo na intimidade e nos dilemas de João, um cineasta em busca de reconstrução após o término de um relacionamento duradouro.

A trama inicia com João, ainda confuso pelo fim de um relacionamento de dez anos com Hugo. Em uma reflexão quase metalinguística, João descreve o término como “o final feliz de um filme perfeito”, sublinhando a dificuldade de aceitar a ruptura e a subsequente reentrada no mundo dos encontros e aplicativos de relacionamento. A vida real, ao contrário dos filmes que João tanto ama, é desordenada e imprevisível, um tema que Daniel Ribeiro explora com sensibilidade.

Artur Volpi entrega uma performance convincente como João, um personagem marcado pela ansiedade e a busca incessante por novos relacionamentos casuais. O roteiro aproveita para desenrolar a criação de um filme dentro do filme, onde João tenta desenvolver um roteiro refletindo suas próprias experiências amorosas.

Essa camada da história mostra um paralelo interessante entre a ficção e a realidade, questionando o que é real e o que é imaginário, um recurso que, embora possa confundir o espectador em alguns momentos, enriquece a trama com uma profundidade emocional palpável.

Enquanto sofre com um bloqueio criativo, João é apresentado ao mundo do cinema pornográfico, onde descobre que também teria grandes chances como um cineasta em um mundo onde a fantasia, o erotismo e as múltiplas versões do amor querem ser eternizadas pelas lentes de alguém que ainda não sabe como participar.

A dinâmica entre João e seus amigos é outra força do filme. Os personagens de Julianna Gerais e Marcos Oli trazem perspectivas distintas sobre amor e relacionamento, contrastando com a visão de João e revelando diferentes versões das relações contemporâneas. A abordagem de Daniel Ribeiro ao mostrar a incompletude do “roteiro” da vida de João reflete a realidade de muitos, destacando a fragilidade e a incerteza que permeiam os relacionamentos.

Protagonizada por Artur Volpi e produzida pela Lacuna Filmes, Claraluz Filmes, Canal Brasil e Telecine, obra marca o retorno de Daniel Ribeiro aos cinemas

O filme é pontuado por cenas que alternam entre a realidade e as sequências fictícias do roteiro de João. Essas cenas fictícias, embora possam inicialmente desorientar, servem para ilustrar as fantasias e os desejos do protagonista, oferecendo uma visão íntima de sua mente e suas aspirações. Ribeiro utiliza essas transições para enfatizar o processo criativo e a maneira como João tenta reconciliar sua vida real com suas ambições cinematográficas.

A estética do filme é outra área onde “13 Sentimentos” brilha. A direção de arte de João Vitor Lage e a direção de fotografia de Pablo Escajedo criam uma atmosfera visualmente cativante que equilibra bem a intimidade e o simbolismo. Um exemplo marcante é o presente de um cubo mágico que João recebe, um artefato que simboliza as múltiplas possibilidades e desafios de resolver os mistérios da vida e do amor.

  • Spoiler abaixo

No entanto, a inserção do ex de João, Hugo, interpretado por Fabricio Pietro, pareceu uma entrega desnecessária. Embora sua presença possa parecer um elemento de complicação adicional, ele funciona para elucidar os problemas e as reflexões de João sobre os relacionamentos, adicionando uma camada extra de drama que, apesar de um pouco forçada, contribui para o desenvolvimento da trama.

A trilha sonora de Arthur Decloedt complementa perfeitamente o tom do filme, com músicas que reforçam as emoções e os dilemas enfrentados pelos personagens. As faixas selecionadas ressoam com as cenas, amplificando o impacto das transições emocionais e introspectivas do protagonista.

“13 Sentimentos” é um filme que fala diretamente às pessoas que se identificam com o turbilhão dos relacionamentos modernos, sejam eles homoafetivos ou não.

Com seu foco nos encontros, desencontros e a eterna busca pelo amor, o longa deixa o público com uma sensação de esperança e curiosidade sobre o que o futuro pode trazer. Daniel Ribeiro entrega uma obra que não só amplia seu portfólio como também enriquece o panorama do cinema nacional LGBT, oferecendo uma narrativa que, ao mesmo tempo em que se conecta com experiências universais, explora as particularidades de um protagonista que se reconstrói através de sua arte e de seus relacionamentos.

O longa recebe apoio do Projeto Paradiso, que faz parte do programa Brasil no Mundo, de apoio à participação de filmes e séries de ficção brasileiros em grandes festivais e mercados mundo afora e estreia nos cinemas no dia 13 de junho.

Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa à convite da Vitrine Filmes.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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