“Beleza Fatal” é a mais nova aposta da Max e carrega o nome do autor Raphael Montes, conhecido por suas tramas envolventes e sua habilidade em mesclar suspense, crime e tensão psicológica.
A novela estreia oficialmente no dia 27 de janeiro, mas tive acesso antecipado aos dez primeiros episódios e, com isso, posso adiantar uma análise detalhada do que os espectadores podem esperar. Primeiro, abordarei os acontecimentos dos episódios iniciais e, depois, darei uma visão geral sobre minhas impressões e o que torna essa trama tão intensa e viciante.
A novela abre com um tom sombrio e instigante: logo no primeiro episódio, um crime é sugerido, mas as peças do quebra-cabeça se encaixam aos poucos. Somos apresentados a Cléo (Vanessa Giácomo), uma mãe batalhadora que vive no interior ao lado de sua filha, Sofia. O cenário rural é destacado com uma estética quase bucólica, até que um incêndio devasta o que restava da vida simples que as duas levavam. Sem alternativas, Cléo recorre à prima, Lola (Camila Pitanga), que, embora pareça ser uma mulher comum de classe média baixa, logo se revela a principal antagonista da trama.
O que fica evidente é que Lola não deseja apenas melhorar de vida – ela quer ascender socialmente a qualquer custo, e sua ambição é tingida por um tom de soberba e oportunismo.
Conforme avançamos na trama, somos apresentados a outros personagens centrais, como os cirurgiões plásticos Dr. Benjamin (Caio Blat) e Dr. Rog (Marcelo Serrado), apelidado de “Dr. Peitão”. Ambos representam um arquétipo de poder masculino tóxico: arrogantes, prepotentes e dispostos a fazer qualquer coisa para se manter no topo. O abuso de autoridade e a forma como manipulam as pessoas ao redor são temas constantes na história, e suas ações terão repercussões profundas.
A partir daí, a novela nos leva à história de Rebeca (Fernanda Marques), filha de Elvira (Giovanna Antonelli), uma jovem com aspirações no mundo da moda. Ingênua, mas determinada, Rebeca busca uma oportunidade na clínica dos doutores Rog e Benjamin, sem saber que está entrando em um universo de interesses obscuros. Rapidamente, ela se torna alvo de Rog, que enxerga nela não apenas beleza, mas vulnerabilidade. É então que surge “A Casa do Sim“, uma balada fictícia que serve como ponto de encontro para a elite carioca – um ambiente luxuoso, repleto de segredos, festas regadas a drogas e orgias. Esse local se torna uma peça-chave para entendermos o submundo onde os personagens se movem e as sombras que pairam sobre suas vidas.
Enquanto isso, a relação entre Cléo e Lola se desenha de maneira cruel: ao invés de acolher a prima e a sobrinha por solidariedade, Lola as transforma em suas empregadas. A diferença de status entre elas é um contraste forte, e o tratamento abusivo que Cléo recebe desde o começo reforça a dinâmica de exploração e submissão. Essa desigualdade social é um dos pilares da trama e se manifesta de forma brutal ao longo dos episódios.
O desenrolar dos eventos leva a um ponto de virada ainda mais chocante: os cirurgiões realizam uma cirurgia clandestina em Rebeca, que resulta em uma complicação grave. Desesperados, eles tentam se livrar da jovem, acreditando que ela está à beira da morte. No entanto, seu destino não é selado tão facilmente. Ela é abandonada em um terreno baldio e posteriormente encontrada, precisando urgentemente de um transplante de coração. Paralelamente, a ambiciosa secretária da clínica, Lola, percebe a oportunidade de se inserir no esquema e chantageia os médicos, mesmo tornando-se cúmplice do crime.
A trama se intensifica quando o marido de Lola, um policial, começa a investigar o caso. Ele descobre que sua esposa está envolvida, confronta-a com imagens de câmeras de segurança e, tomado pela fúria, exige respostas. No entanto, Lola está sempre um passo à frente. Em um momento de desespero, ela pega a arma do marido e dispara três vezes contra ele, matando-o a sangue frio. O mais impactante é que Cléo testemunha tudo e, em uma reviravolta angustiante, acaba sendo coagida por Lola a assumir a culpa pelo crime. É um dos momentos mais sufocantes da novela, destacando a manipulação e frieza da vilã.
A trama avança com o desenrolar dos eventos, trazendo ainda mais desdobramentos. Esta primeira fase da novela se passa em 2009, estabelecendo a base para o que veremos adiante.
Determinados a impedir que Rebeca sobreviva e os denuncie, Rog e Benjamim sabotam o transplante de maneira brutal. Eles contratam alguém para provocar um acidente com a ambulância que transporta o órgão, causando uma colisão. No meio da confusão, eles aproveitam a oportunidade para roubar o coração, garantindo que a cirurgia nunca aconteça. No entanto, o plano deles acaba tomando um rumo inesperado quando Lola, percebendo a situação e enxergando uma chance de tirar vantagem, entra no jogo. Astuta e sempre em busca de lucro próprio, ela pressiona os dois, forçando-os a enfrentá-la enquanto tentam encobrir seus rastros e lidar com as consequências de seu crime.
Durante esse mesmo período, uma rebelião explode dentro da prisão, mergulhando o local em um cenário de caos e violência. No meio do tumulto, Cléo acaba sendo uma das vítimas fatais, morta em circunstâncias brutais que deixam dúvidas sobre se sua morte foi um acaso da revolta ou resultado de um acerto de contas.
Conhecemos então mais sobre o personagem interpretado por Herson Capri, o Dr. Átila Argento. Ele é um grande cirurgião plástico, rico, famoso e com uma carreira consolidada, mas sua vida não é tão perfeita quanto parece. Átila carrega consigo alguns dilemas familiares, sendo pai do Dr. Benjamin, e a relação entre eles é marcada por tensões e trocas constantes de ameaças. A trama revela que, por trás de sua imagem de sucesso, Átila tem problemas pessoais a serem enfrentados, e, além disso, surge um novo amor em sua vida, o que adiciona mais complexidade ao personagem.
A Lola é mestre nas artimanhas e não perde a oportunidade de usar tudo o que sabe a seu favor. Ela consegue acessar provas do computador de seu marido e, com isso, tenta se safar de diversas situações, se infiltrando na família dos médicos. Sua jogada mais astuta é conquistar o coração do Dr. Benjamin, o que a coloca em uma posição vantajosa. Dr. Átila, por sua vez, a leva para passar um tempo na sua fazenda, e Lola, com seu charme e manipulação, se faz de boazinha, conquistando a confiança de todos ao seu redor.
A beleza de Lola não é apenas um atributo físico, mas uma poderosa ferramenta que ela usa para alcançar seus objetivos. É incrível como, através de sua aparência e atitudes, ela consegue conquistar tudo o que deseja, mostrando que, em sua vida, a beleza é capaz de conquistar e, até mesmo, matar.
A passagem de tempo nos leva aos dias atuais, onde Sofia, agora interpretada por Camila Queiroz, retorna com um objetivo claro: vingança. Criada pela família de Elvira, Sofia cresceu consciente das injustiças que sofreu e está determinada a fazer Lola pagar por tudo. Para isso, ela adota uma nova identidade: Júlia. Com uma aparência renovada e uma mente afiada, ela se infiltra no círculo social da vilã, arquitetando seu plano de vingança com precisão cirúrgica.
Determinada a fazer justiça, Sofia começa a planejar uma maneira de atingir Lola, a tia que agora desfruta de uma vida de luxo, poder e status. Ao longo da trama, fica claro que Sofia não só busca vingança, mas também quer se impor como alguém capaz de lidar com a complexidade do mundo de sua tia e do novo marido de Lola, o Dr. Benjamin.
A partir daqui o texto pode conter spoilers!
A tensão cresce à medida que Sofia se aproxima dos inimigos de sua mãe. Inicialmente, ela se envolve com a dupla de médicos, obtendo informações comprometedoras e expondo um de seus segredos publicamente, abalando sua reputação. Em seguida, ela foca em uma nova vítima e, para isso, se reinventa por completo, tornando-se uma mulher sedutora, misteriosa e perigosa.
O enredo começa a explorar intensamente os jogos de manipulação, com um personagem controlando sua esposa emocional e fisicamente, manipulando sua autoestima ao ponto de fazê-la acreditar que precisa constantemente de procedimentos médicos para se manter atraente. A trama é marcada pela ideia de máscaras e pela construção de aparências falsas, tanto nos relacionamentos quanto na nova identidade da protagonista.
Antes de todos os problemas tomarem conta de sua vida, Sofia/Julia viveu um amor de infância com alguém muito próximo a ela. Com o tempo, a vida levou-os por caminhos diferentes, e, eventualmente, um novo amor surgiu, mais maduro, mas igualmente especial, tornando-se um grande parceiro no seu plano de vingança.
A manipulação vai além quando ela faz amizade com uma pessoa que tem laços com seu antigo amor. Esse vínculo a coloca em uma posição de investigação, onde manipulação e a busca por respostas se misturam. No mundo que essas personagens habitam, as relações são movidas por manipulações, e a busca pela verdade e pela vingança se torna cada vez mais complexa, com as mulheres tentando se libertar de suas máscaras e manipulações em um ambiente repleto de mentiras.
A novela acerta ao construir personagens ambíguos, onde ninguém é inteiramente bom ou mau – todos têm suas próprias motivações e métodos para alcançar seus objetivos. A abordagem estética também merece destaque: desde a fotografia que brinca com contrastes entre luz e sombras até a trilha sonora envolvente, tudo contribui para criar uma atmosfera densa e instigante. ‘Beleza Fatal’ não é apenas uma novela sobre vingança e ambição, mas um estudo sobre como o poder e a beleza podem ser armas letais.
Os episódios seguem esse tom de tensão crescente, revelando mais camadas da trama e introduzindo novos elementos que aprofundam o jogo de manipulação. Sofia, ou melhor, Júlia, se torna uma peça-chave nesse tabuleiro, e cada movimento seu é importante para o desenrolar da história. É impossível não se envolver com a narrativa e torcer para que a protagonista consiga sua vingança, ao mesmo tempo em que a trama nos lembra constantemente que, nesse mundo, ninguém sai ileso.
Os cenários e efeitos de Beleza Fatal cumprem o seu papel de novela. A simplicidade dos cenários e a abordagem dos efeitos criam uma atmosfera familiar, enquanto os diálogos e interações, com seus clichês típicos e muitas referências da cultura pop e de outras produções, acabam por reforçar essa sensação. Isso traz um charme à trama, como se estivesse jogando com os elementos mais característicos desse estilo, proporcionando uma experiência leve e envolvente para o público.
Camila Pitanga criou uma vilã intensa e poderosa, com uma construção impecável, que, ao mesmo tempo, ganha um toque de humor. Sua personagem é uma vilã que muitos vão adorar odiar, tornando-se um destaque da trama. Giovanna Antonelli, por sua vez, dá vida a uma mãe protetora, que não deseja mal a ninguém, mas exala força e intensidade, trazendo uma personagem profundamente bem representada. Já Camila Queiroz, como protagonista, entrega uma performance intensa, que vai agradar bastante, mas ainda tem muito a se desenvolver ao longo dos episódios. Sem dúvida, há muito para se esperar dessa trama.
‘Beleza Fatal’ tem tudo para ser uma novela memorável, repleta de reviravoltas, traições e personagens marcantes. A força da história vive não apenas em seu roteiro bem amarrado, mas também na forma como explora temas como poder, manipulação, aparência e sobrevivência.
Para quem busca uma trama intensa e cheia de surpresas, essa novela definitivamente merece estar na sua lista de “o que assistir na Max“.
Beleza Fatal estreia na Max no dia 27 de janeiro, com novos episódios toda segunda-feira. Ao todo, serão 40 episódios, lançados em blocos de 5 a cada semana.
