Um homem perde o emprego e passa a enxergar concorrentes como obstáculos reais. A Única Saída chega aos cinemas e transforma crise profissional em thriller satírico. Leia mais sobre o filme de Park Chan-wook.
A Única Saída (título original No Other Choice) é o novo thriller satírico de humor negro dirigido por Park Chan-wook, cineasta sul-coreano conhecido por explorar violência, ironia e crítica social em narrativas desconfortáveis.
O longa acompanha a trajetória de um homem comum empurrado a decisões extremas após ser descartado pelo mercado de trabalho, transformando uma crise profissional em uma espiral moral.
A história de A Única Saída
A trama gira em torno de Yoo Man-su, vivido por Lee Byung-hun, funcionário de uma fábrica de papel que dedicou 25 anos de sua vida à empresa. Com a venda do negócio para uma multinacional americana, ele é demitido de forma repentina. Sem perspectivas de recolocação e pressionado pelas despesas da família, Man-su passa a enxergar outros candidatos a vagas de emprego como obstáculos diretos à própria sobrevivência.
Convencido de que reduzir a concorrência pode aumentar suas chances, ele toma uma decisão radical: eliminar fisicamente seus rivais profissionais. O plano, tratado com lógica fria pelo protagonista, conduz o filme por uma sucessão de situações que misturam humor ácido, tensão e violência.
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Em paralelo, a narrativa acompanha o impacto desse colapso moral dentro de casa. Sua esposa, Mi-ri, interpretada por Son Ye-jin, consegue um emprego como técnica dentária e passa a desconfiar do comportamento do marido.
Os filhos também sentem o peso da instabilidade, especialmente a filha, uma jovem violoncelista que vê suas aulas canceladas, elemento que se conecta diretamente ao ritmo e à estrutura do filme.
Direção e origem do projeto
O roteiro é assinado por Park Chan-wook em parceria com Lee Kyoung-mi, Don McKellar e Jahye Lee, a partir do romance The Ax, de Donald E. Westlake, publicado em 1997. O livro já havia sido adaptado anteriormente no cinema, mas a versão de Park opta por uma abordagem mais visual, satírica e violenta.
Este trabalho marca o retorno de Park à competição do Festival de Veneza após duas décadas. Seu cinema aqui reforça o interesse por personagens pressionados por sistemas impessoais, em especial o mercado de trabalho e a lógica corporativa, tratados como forças desumanizadoras.
Estilo visual e aspectos técnicos
A fotografia de Kim Woo-hyung cria um contraste constante entre espaços externos iluminados e interiores fechados, dominados por tons escuros. Essa oposição visual acompanha o estado psicológico do protagonista, preso entre a aparência de normalidade e a deterioração interna.

A direção de arte de Ryu Seong-hie transforma ambientes cotidianos em espaços de tensão, especialmente a casa da família, que funciona como extensão da pressão econômica e emocional vivida por Man-su. A trilha sonora de Cho Young-wuk dialoga diretamente com a narrativa, incorporando a música executada pela filha como elemento diegético que acelera ou desacelera o ritmo do filme.
Elenco de destaque
O elenco reúne nomes conhecidos do cinema e da televisão sul-coreana. Lee Byung-hun conduz o filme com uma atuação centrada em gestos contidos e explosões pontuais de violência. Son Ye-jin constrói uma personagem atenta às mudanças do marido, funcionando como contraponto moral da história. O elenco de apoio inclui Park Hee-soon, Lee Sung-min, Yeom Hye-ran, Cha Seung-won e Yoo Yeon-seok, todos inseridos como peças de um sistema competitivo e impessoal.
Estreia em Veneza e recepção
A Única Saída teve sua estreia mundial na 82ª edição do Festival de Veneza, em agosto de 2025, onde competiu pelo Leão de Ouro. O filme recebeu uma longa ovação do público e se destacou como o primeiro representante sul-coreano na competição oficial do festival em mais de uma década.
A recepção crítica internacional foi amplamente positiva, com análises ressaltando o equilíbrio entre sátira social e thriller, além do controle formal da direção. O longa alcançou pontuação próxima do máximo em agregadores de crítica, consolidando-se como um dos títulos mais comentados do circuito de festivais em 2025.
Premiações e reconhecimento
Após Veneza, o filme passou por festivais como Toronto, Estocolmo e Savannah, acumulando prêmios do júri e do público. Na Coreia do Sul, foi destaque em premiações nacionais, incluindo vitórias importantes no Blue Dragon Awards.
O longa também foi selecionado como representante oficial do país para o Oscar 2026 na categoria de Filme Internacional, entrando na shortlist da Academia.
Desempenho comercial
Na Coreia do Sul, o filme teve a maior abertura da carreira de Park Chan-wook, superando trabalhos anteriores do diretor. Nos Estados Unidos, a distribuição ficou a cargo da NEON, com lançamento limitado em salas de cinema independentes e desempenho acima da média para produções em língua não inglesa.
Globalmente, a arrecadação se aproximou de 30 milhões de dólares nas primeiras semanas.
Quando A Única Saída estreia no Brasil
No Brasil, A Única Saída chega aos cinemas em 22 de janeiro de 2026, com distribuição da MUBI em parceria com a Mares Filmes. A exibição será em coreano, com legendas em português, e classificação indicativa prevista para 16 anos.

O filme utiliza a trajetória de Man-su para discutir desemprego, perda de identidade profissional e a violência simbólica dos sistemas econômicos contemporâneos. Park Chan-wook evita transformar o protagonista em herói ou vilão absoluto, optando por uma observação irônica e desconfortável de uma sociedade onde a competição extrema redefine limites morais.
Ao misturar humor negro, crítica social e suspense, A Única Saída se posiciona como um retrato ácido das engrenagens do trabalho moderno e de suas consequências dentro do núcleo familiar.
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