Review | The Boys (5ª temporada): Uma grande obra com um final desperdiçado

A quinta temporada de The Boys chega com a difícil missão de encerrar uma das séries mais caóticas e provocativas dos últimos anos.

Depois de temporadas marcadas por tensão, violência e críticas sociais afiadas, a expectativa para esse último ano era alta. E talvez seja justamente por isso que a despedida decepcione um pouco. Não porque a série tenha perdido totalmente aquilo que a fazia funcionar, mas porque, em muitos momentos, parece esquecer o que realmente importava para um encerramento.

Desde o começo, fica claro que a temporada quer concluir a história principal enquanto também prepara terreno para possíveis projetos futuros da franquia. O problema é que essa divisão de foco pesa bastante no resultado. Em vez de uma narrativa mais direta, preocupada em resolver conflitos e aumentar a tensão do que já vinha sendo construído, The Boys frequentemente parece perder tempo com tramas paralelas, cenas vazias e diálogos que pouco acrescentam à história principal.

review final the boys 5 temporada
Divulgação: Prime Video.

E isso pesa ainda mais justamente por ser a temporada final. É o momento em que tudo deveria parecer urgente, onde cada episódio precisaria aproximar os personagens de um grande desfecho. Mas, em muitos momentos, a série parece sem pressa. A direção dos episódios acaba soando confusa, principalmente na montagem, como se a narrativa perdesse o foco do que realmente importa.

Parte dessa falta de urgência também vem da insistência em conflitos que a série já trabalhou diversas vezes antes. O principal exemplo disso está na relação entre Hughie Campbell (Jack Quaid) e Starlight (Erin Moriarty). Desde a primeira temporada, acompanhamos os conflitos morais do casal e suas diferenças de visão sobre certo e errado. O problema é que a série insiste novamente nesse mesmo impasse, ocupando tempo de tela com discussões que parecem repetidas e que pouco acrescentam ao momento atual da trama. Em uma temporada onde tanta coisa importante precisava ser resolvida, esse espaço poderia ter sido usado para fortalecer conflitos realmente centrais da história.

O mais frustrante é que o potencial para algo grandioso claramente existia. As críticas sociais e políticas continuam fortes, talvez até mais pesadas do que antes, principalmente por conta da escalada do Capitão Pátria (Antony Starr). Aqui, o personagem parece mirar algo ainda maior, elevando o tamanho da ameaça e fazendo parecer que as consequências poderiam finalmente sair do controle.

Só que a série raramente consegue transformar isso em uma tensão real. Ao mesmo tempo em que cria situações para tornar o Capitão ainda mais poderoso, também apresenta soluções milagrosas que acabam diminuindo parte desse impacto. Em vez de fazer o espectador sentir que o perigo nunca foi tão grande, a narrativa acaba tirando parte do medo que deveria sustentar essa reta final.

review da temporada final de the boys
Divulgação: Prime Video.

Outro ponto baixo da obra está no tratamento de alguns personagens, que acabam sendo mal aproveitados ou recebendo desfechos sem o peso emocional necessário. Black Noir (Nathan Mitchell) , por exemplo, vinha recebendo uma construção muito interessante e um background que finalmente fazia o personagem ganhar mais profundidade. Sua morte não chega a ser o problema, afinal, The Boys sempre teve coragem de tomar decisões drásticas, mas a forma como tudo acontece parece abrupta demais, sem uma construção emocional forte ou uma cena que realmente pareça honrar o personagem.

Já Soldier Boy (Jensen Ackles) talvez seja um dos casos mais frustrantes da temporada. Depois de tanto investimento na relação complicada com seu filho, Capitão Pátria, o desfecho acaba parecendo rápido e até preguiçoso. A sensação é de que muito da importância construída para aquela relação simplesmente perde força, como se parte da jornada do personagem tivesse sido em vão.

Mas, se existe alguém que realmente consegue sustentar a temporada, esse alguém é Antony Starr. Como Capitão Pátria, o ator continua sendo um dos maiores acertos da série. Ele consegue equilibrar perfeitamente os momentos mais assustadores com uma vulnerabilidade quase desconfortável, mostrando mais uma vez o quanto entende as camadas do personagem.

Ainda assim, seria injusto dizer que essa continuação não vale a pena. Mesmo nos episódios mais fracos, The Boys ainda consegue divertir. O humor ácido continua funcionando, alguns momentos de caos ainda são empolgantes e certos personagens seguem interessantes de acompanhar.

Porém o que fica é uma sensação de potencial desperdiçado. The Boys tinha tudo para entregar uma despedida maior, mais intensa e realmente memorável, principalmente considerando tudo o que construiu ao longo dos anos. Talvez, se tivesse focado mais em concluir sua própria história do que em abrir portas para o futuro, o resultado fosse mais satisfatório. Ainda existe entretenimento aqui, mas também existe a sensação de uma série que, perto do fim, acabou perdendo parte da tensão e a força da sua própria identidade.

A série completa está disponível no Prime Video.

Review escrito por Isabelly Ferreira Cardoso – sob a supervisão de Robson Netto.

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