Uma cela, dois homens e uma diva que invade a história em forma de musical. O Beijo da Mulher Aranha chegou aos cinemas brasileiros em 15 de janeiro. Leia mais sobre o filme.
O Beijo da Mulher Aranha é a mais recente adaptação para o cinema do romance homônimo de Manuel Puig, publicado em 1976.
A nova versão é dirigida e roteirizada por Bill Condon e chegou aos cinemas brasileiros em 15 de janeiro de 2026, como uma releitura musical do material-fonte, com uma proposta visual dramática e luxuosa centrada em dois prisioneiros durante a ditadura militar argentina.
A produção é uma coprodução internacional entre Estados Unidos e México, financiada por empresas como Nuyorican Productions (de Jennifer Lopez), Artists Equity (de Ben Affleck e Matt Damon), Josephson Entertainment e Mohari Media. A distribuição envolve Lionsgate Films, Roadside Attractions e LD Entertainment, enquanto no Brasil o lançamento está ligado à Paris Filmes.
Do que trata a história de O Beijo da Mulher Aranha
A narrativa acompanha Valentín Arregui (Diego Luna), um prisioneiro político encarcerado durante o regime ditatorial argentino dos anos 1980.
Ele divide a cela com Luis Molina (Tonatiuh), um jovem vitrinista condenado por atentado ao pudor. Entre os dois, surge um vínculo improvável que cresce dentro de um ambiente marcado por repressão e tortura.
Para escapar da realidade brutal, Molina passa a contar para Valentín as histórias de seus filmes preferidos, todos estrelados por sua diva favorita, Ingrid Luna (Jennifer Lopez). Enquanto ele narra melodramas inspirados nos anos 1940 e 1950, o filme alterna a realidade carcerária com sequências de fantasia musical, que ganham espaço na vida emocional dos dois. O romance que se desenvolve é mediado por essas histórias, enquanto o diretor da prisão tenta pressionar Molina a entregar informações que comprometeriam Valentín.
Assista ao trailer:
O romance de Manuel Puig e o contexto histórico
O livro de Puig foi escrito durante a ditadura militar argentina e não pôde ser publicado no país naquele momento, sendo lançado primeiro na Espanha. Em português, o romance só seria traduzido em 1980, no contexto de abertura política no Brasil, onde se tornou um best-seller com onze edições em apenas dois anos.
A obra se destacou por abordar criticamente a ditadura latino-americana e por tratar a homossexualidade como tema central e dignificador, em um período em que o assunto ainda era tabu até em ambientes progressistas.
O romance traz notas de rodapé com reflexões médicas e psicanalíticas contemporâneas sobre homossexualidade, descritas como um gesto educativo intencional para leitores jovens em processo de descoberta de identidade.
A trajetória de adaptações até chegar ao musical com Jennifer Lopez
A história passou por diferentes formatos antes da versão atual:
• Cinema (1985): adaptação dirigida por Héctor Babenco, com William Hurt, Raul Julia e Sônia Braga. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, vencendo Melhor Ator para William Hurt.
• Broadway (1993): musical produzido por Harold Prince, com música de John Kander, letras de Fred Ebb e argumento de Terrence McNally. Estreou no Broadhurst Theatre em 3 de maio de 1993, teve 904 performances até 1º de julho de 1995 e ganhou sete Tony Awards, incluindo Melhor Musical, Melhor Livro de Musical e Melhor Partitura Original. Brent Carver, Anthony Crivello e Chita Rivera receberam Tonys em 1993.
A versão de Bill Condon é a segunda interpretação cinematográfica do material, mas se diferencia da de 1985 por se basear no musical da Broadway, mantendo as músicas de Kander e Ebb. Isso marca uma mudança deliberada no tom: de drama psicológico para espetáculo musical.
Bill Condon: direção e repertório
Nascido em 22 de outubro de 1955, em Nova Iorque, Bill Condon é apresentado como um cineasta versátil, com experiência em musicais e narrativas ligadas a identidade, expressão criativa e relações humanas.
Entre os trabalhos citados estão Deuses e Monstros (1998), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro, Kinsey (2004), Chicago (2002) – escreveu o roteiro; o filme venceu Melhor Filme no Oscar, Dreamgirls (2006) – dirigiu e escreveu o roteiro, A Saga Crepúsculo: Amanhecer (Partes 1 e 2, 2011-2012) – dirigiu.
Condon é descrito como abertamente homossexual e em relacionamento com Jack Morrissey, e essa perspectiva é associada à forma como ele aborda temas de identidade e representação, considerados centrais em O Beijo da Mulher Aranha.
Elenco e personagens
Jennifer Lopez interpreta Ingrid Luna / Aurora / A Mulher-Aranha, papel associado anteriormente a Sônia Braga (1985) e Chita Rivera (Broadway).
Nesta versão, Lopez aparece como a Mulher-Aranha que ocupa as fantasias de Molina e também como uma diva de Hollywood em plenitude criativa. Condon teria considerado Lopez sua “primeira e única escolha”.
Ela perdeu peso durante a produção para corresponder à estética desejada e afirmou ao portal Fresh Fiction que o projeto reuniu, no roteiro, tudo o que imaginava fazer quando era pequena: cantar, dançar e atuar como uma grande estrela de Hollywood. A fala remete ao período em que ela fez audições para o papel em Evita (1996), que acabou com Madonna.

As sequências musicais de Lopez foram filmadas em takes únicos, descritos como elaborados. A fotografia realça sua imagem com iluminação abundante; alguns críticos apontaram excesso de retoque cosmético para que pareça mais jovem, enquanto sua performance coreográfica foi amplamente destacada.
Diego Luna vive Valentín Arregui e também atua como produtor executivo. O texto menciona sua trajetória em Y tu mamá también (2001) e sua atuação em Andor (Disney+), descrevendo a interpretação de Valentín como intensa e vulnerável. Condon afirmou à revista PEOPLE que a química entre Luna e Lopez foi imediata e que o ator se mostrou disposto a se expor emocionalmente.
Tonatiuh interpreta Luis Molina. Nascido em 3 de janeiro de 1995, em Los Angeles, ele é descrito como ator em ascensão, com trabalhos em Vida (2018-2020), Promised Land (2022) e participação em Carry-On (2024), filme da Netflix citado como o terceiro longa em língua inglesa mais assistido na plataforma. Tonatiuh foi selecionado entre centenas de candidatos e sua atuação aparece ligada a buzz pré-Oscar, com estratégia de campanha mirando Melhor Ator. Ele afirmou que estava esperando um papel assim a vida inteira e disse que, por volta da metade do filme, estava visceralmente tremendo por se sentir conectado a Diego Luna. A crítica descreveu sua performance como impressionante e transformadora, destacando transições emocionais rápidas.
No elenco de suporte, aparecem:
• Bruno Bichir como The Warden (diretor da prisão)
• Josefina Scaglione como Marta (indicada como alguém com laços ao passado de Valentín)
• Aline Mayagoitia como Paulina
• Tony Dovolani como Johnny Desiderio (chefe da máfia)
Produção, filmagens e estética
O projeto foi anunciado em dezembro de 2023, com Jennifer Lopez confirmada como estrela e produtora executiva e Bill Condon como diretor e roteirista. A lista de produtores mencionada inclui Barry Josephson, Tom Kirdahy e Greg Yolen. Em abril de 2024, Ben Affleck e Matt Damon entraram como executivos via Artists Equity, e Diego Luna também foi adicionado como produtor executivo. O casting de Tonatiuh ocorreu por meio de seleção aberta com centenas de candidatos internacionais.
As filmagens começaram em 21 de março de 2024 nos Basin Studios, em Kearny (Nova Jersey). As cenas de Lopez foram concluídas em 10 de maio de 2024, informação confirmada por ela em aparição no programa Live with Kelly and Mark. A produção foi encerrada em 16 de junho de 2024, dentro de um período aproximado de três meses.

O design de produção é assinado por Scott Chambliss, com experiência em projetos ligados a J.J. Abrams e teatro de Nova Iorque. A fotografia é de Tobias Schliessler, criando contraste intencional: prisão com visual mais sombrio e claustrofóbico; fantasia musical com cores pastéis e iluminação que remete à era de ouro de Hollywood.
A coreografia tem Sergio Trujillo como responsável principal, Brandon Bieber como co-coreógrafo e Christopher Scott na coreografia específica do número “Gimme Love”, citado como destaque e ponto forte do filme.
Música e tributos
As canções mantêm a base do musical da Broadway, com composições de John Kander e letras de Fred Ebb. A trilha original do filme foi adaptada por Sam Davis, que compôs a trilha sonora. O texto aponta “Gimme Love” como número realçado pela performance de Lopez.
Nos créditos finais, há um tributo dedicado às memórias de Fred Ebb (morto em 2004), Terrence McNally (morto em 2020 por COVID-19) e Chita Rivera (falecida em 2024).
Estreia, recepção e circuito de festivais
A primeira exibição pública ocorreu no Festival de Sundance, em 26 de janeiro de 2025, onde o filme teve recepção crítica descrita como mista-a-positiva.
Indicadores citados:
• Rotten Tomatoes: 81% Fresh
• Metascore: 65
• IMDb: 5.0/10 (usuários)
Entre elogios recorrentes, aparecem as atuações do trio principal (com Tonatiuh como revelação), coreografia, design de produção, cinematografia e o equilíbrio entre drama e fantasia visual. Entre críticas, surgem observações sobre diluição da mensagem política em comparação com a versão de 1985, um final com tônica mais romântica do que trágica, além de inconsistências de tom e ritmo irregular em segmentos narrativos.
No circuito de festivais, o filme foi exibido e/ou selecionado para:
• Locarno (2025): indicado ao Audience Award
• Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (49ª edição, outubro de 2025): selecionado
• Morelia (2025): exibido
• SCAD Savannah (2025): Jennifer Lopez recebeu o Virtuoso Award
Campanha de prêmios e indicações citadas
A campanha de prêmios para 2026 planeja:
• Lead Actor: Tonatiuh
• Supporting Actor: Diego Luna
• Supporting Actress: Jennifer Lopez (seria sua primeira indicação ao Oscar, com menções de aclamação por “Selena”, “Out of Sight”, “Hustlers” e “Unstoppable”, mas sem nominações anteriores)
• Possíveis indicações para Production Design/Costume Design, com menção a Colleen Atwood (quatro vezes vencedora do Oscar) no figurino.
Há também uma indicação confirmada no SDSA Awards for Film 2025, para Best Achievement em Décor/Design of a Contemporary setting, com vencedores anunciados em 21 de fevereiro de 2026.
Datas e bilheteria
• Estados Unidos: 10 de outubro de 2025
• Brasil: 15 de janeiro de 2026
O orçamento de produção é citado em US$ 30 milhões, com arrecadação de US$ 2 milhões até a data da pesquisa, descrita como uma decepção comercial frente ao porte do projeto e ao nome de Jennifer Lopez.
Curiosidades sobre O Beijo da Mulher Aranha
• A produção é associada à realização de um sonho profissional de Jennifer Lopez: protagonizar um grande musical no cinema.
• As sequências musicais de Lopez foram filmadas em takes únicos.
• Tonatiuh foi escolhido entre centenas de candidatos.
• Lopez perdeu peso durante a produção para atender à visão estética do diretor.
• Tonatiuh descreveu trabalhar com Lopez como “ver um raio atingindo”.
• O filme reforça a linha histórica da obra: romance de 1976 → filme de 1985 → musical de 1993 → adaptação musical cinematográfica de 2025.


