Pluribus não inventou essa ideia de conexão mental. Tem pesquisador que levou isso tão a sério quanto a série leva.
Pluribus, nova série da Apple TV, pode até parecer uma história de ficção científica sobre um vírus alienígena que conecta a humanidade em uma única mente coletiva: mas quanto mais você assiste, mais percebe que ela está conversando com teorias reais sobre consciência, comportamento e padrões invisíveis.
E o mais curioso é que essas ideias não nasceram na ficção: psicólogos, físicos e biólogos renomados dedicaram décadas para tentar entender fenômenos parecidos.
Neste post, vamos explorar como Pluribus dialoga diretamente com duas das teorias mais intrigantes da história da ciência e da psicologia: o inconsciente coletivo de Carl Jung e os campos mórficos de Rupert Sheldrake.
Este artigo contém spoilers.
A Mente Coletiva em Pluribus: Quando a Imaginação Vira Estrutura
Na série, o vírus Pluribus reorganiza a humanidade inteira em uma única consciência. Os infectados se referem a si mesmos como “Nós”, compartilham emoções, lembranças e até pensamentos em tempo real, como se fossem um organismo coletivo com bilhões de membros.
Essa ideia é naturalmente assustadora, mas é também surpreendentemente alinhada com teorias reais.

Carl Jung e o Inconsciente Coletivo
O psiquiatra suíço Carl Jung acreditava que parte da nossa mente não é individual. Ela seria composta por símbolos, padrões e emoções compartilhados por todos os seres humanos, independente de cultura ou experiência. É o famoso inconsciente coletivo.
Pluribus usa esse conceito psicológico e o transforma em ficção literal:
- Uma mente global interligada;
- Emoções compartilhadas entre todos;
- Memórias fluindo como se fossem arquivos de um mesmo sistema;
- Perda parcial da individualidade em nome da “harmonia coletiva”.
O que Jung via como algo simbólico e profundo, a série transforma numa realidade biológica extrema.

Wolfgang Pauli e a Sincronicidade
Parceiro intelectual de Jung, o físico quântico Wolfgang Pauli acreditava que muitos acontecimentos não são coincidência, eles são conectados por significado, não por causa e efeito.
Na série, o coletivo interpreta intenções humanas de forma direta, quase literal. Pequenas ações dos personagens ecoam na mente global de jeitos que lembram exatamente essa ideia de sincronicidade: não é magia, é o significado que impulsiona a ação.
Rupert Sheldrake e os Campos Mórficos
O biólogo britânico Rupert Sheldrake acreditava que existe um tipo de “campo invisível” que guarda padrões de comportamento, forma e memória coletiva de cada espécie. Ele chamou esses campos de campos mórficos.
Um dos estudos mais conhecidos do Rupert Sheldrake é justamente o dos passarinhos que aprenderam a abrir garrafas de leite deixadas nas portas das casas na Inglaterra. O mais curioso é que esse comportamento, que deveria exigir aprendizado direto entre indivíduos próximos, começou a aparecer quase simultaneamente em cidades que não tinham nenhum tipo de contato entre si.
Para Sheldrake, isso era a prova de que novos comportamentos podem entrar em um “campo mórfico” da espécie e se espalhar como um tipo de memória coletiva invisível.
Ou seja: quando um grupo aprende algo, essa informação passa a ficar disponível para todos de maneira não física. Em Pluribus, essa ideia aparece de forma radical, como se o vírus tivesse acelerado esse processo natural ao ponto de fazer pensamentos, emoções e até padrões imaginários se manifestarem instantaneamente dentro do coletivo.
É como se existisse um “Drive” universal que armazena tudo:
- hábitos,
- formas,
- tendências,
- imaginações.
Em Pluribus, isso aparece quando certas manifestações parecem surgir diretamente do imaginário dos infectados — como se o vírus acessasse esses padrões invisíveis e materializasse comportamentos ou ideias.
A série não explica isso cientificamente, mas a semelhança conceitual é clara.
David Bohm e a Ordem Implicada: tudo já está conectado
O físico David Bohm acreditava que existe uma camada profunda da realidade onde tudo já nasce conectado: a ordem implicada. O mundo que vemos seria apenas a “superfície” dessa estrutura.
É exatamente assim que o coletivo de Pluribus funciona: não como um grupo de pessoas, mas como um campo organizador único, anterior à própria consciência individual.
Carol e os Imunes
Sem spoilers, a protagonista Carol é imune ao vírus, e isso tem tudo a ver com Jung e Sheldrake.
Não porque ela tem “algo faltando”, mas porque ela tem algo sobrando: contradição, tristeza, desalinhamento e caos interno.

Se o vírus depende de harmonia psíquica, Carol é exatamente o tipo de mente que não sincroniza. Ela vibra fora da frequência.
Outros imunes começam a surgir, cada um reagindo de um jeito totalmente diferente, quase como se cada um estivesse conectado a uma parte distinta do quebra-cabeça: o emocional, o biológico, o simbólico, o energético.
Pluribus: ficção ou ciência?
No fim, o que faz Pluribus ser tão intrigante é justamente isso: não é só ficção científica.
A série parece uma conversa direta com décadas de teorias sobre consciência e interconexão humana. Como se alguém tivesse pego tudo o que Jung, Pauli, Sheldrake e Bohm tentaram entender, e colocado numa história só.

Pluribus fala sobre padrões invisíveis, pensamento que vira forma, intenção moldando realidade, e o desafio de ser indivíduo num mundo que exige unidade.
E o resultado é uma série que parece ficção… mas carrega ideias que muitos cientistas levaram tão a sério quanto os roteiristas.
E você? O que acha? Já está assistindo Pluribus?
