Crítica | Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda: sequência é divertida, tocante e ainda mais icônica

Elas trocaram de corpo de novo e a gente trocou lágrimas por risadas (de novo também). Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda é a continuação perfeita para rir muito e se emocionar. Leia a crítica completa.

O reencontro finalmente aconteceu. Foram mais de vinte anos esperando por esse momento, e quando ele chegou, veio com tudo: caos, risadas, música e emoção em dose quádrupla.

Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda consegue o que poucas sequências conseguem: retomar o espírito do original com respeito, expandir a trama com leveza e ainda acertar o timing de uma comédia familiar que sabe rir de si mesma, mesmo que o tempo tenha passado pra todos.

Dirigido por Nisha Ganatra e adaptado por Jordan Weiss e Elyse Hollander, o longa é inspirado novamente na obra de Mary Rodgers, “Que Sexta-feira Mais Pirada!” (1972), mas agora com uma roupagem atualizada, cheia de referências e surpresas que fazem jus ao título.

As gerações mudam, mas o caos continua em 2025. Anos se passaram desde que Anna Coleman (Lindsay Lohan) e sua mãe, a Dra. Tess Coleman (Jamie Lee Curtis), trocaram de corpos por conta de um biscoito da sorte que não gostava de brigas familiares.

Agora, Anna é uma adulta com carreira consolidada como produtora musical, mãe solteira de uma adolescente e, ironicamente, está prestes a se casar. 

A história faz questão de pontuar que Anna é mãe solo, sem nunca mencionar com clareza quem é o pai de Harper (honestamente, isso não faz falta alguma). O foco está no vínculo entre mães e filhas, e é aí que o filme brilha.

Tess, agora avó, continua sendo uma terapeuta de sucesso, casada, e cheia de conselhos. Harper (Julia Butters), por sua vez, é o espelho da Anna adolescente: rebelde, impulsiva e cheia de opinião.

Divulgação: Disney Studios.

Eis que o caos se anuncia na forma de Lily (Sophia Hammons), uma britânica recém-chegada à escola, que bate de frente com Harper já na primeira aula. A explosão química no laboratório da escola rende uma ida à diretoria, e é ali que conhecemos Eric (Manny Jacinto), pai de Lily e futuro padrasto da confusão.

Basta um olhar trocado entre ele e Anna para entendermos: o casamento vai acontecer, e com ele, o inevitável choque de universos familiares.

A montagem típica de filmes adolescentes da Disney mostra a passagem do tempo com charme: fotos coladas na geladeira, bilhetes coloridos, poses espontâneas. Está tudo ali: o novo núcleo familiar se formando, as tentativas de adaptação e a resistência natural das adolescentes em aceitar a ideia de se tornarem “irmãs” e, pior, eventualmente mudarem para Londres. Porque sim, o plano é deixar a ensolarada Califórnia para trás.

Divulgação: Disney Studios.

E como em toda boa comédia Disney, é numa despedida de solteira que o destino decide agir.

Em vez de um biscoito da sorte, entra em cena uma vidente esquisitíssima (interpretada pela comediante Vanessa Bayer), com turbante, música ambiente e frases vagas que mexem com os nervos das adultas e passam batido pelas adolescentes. A profecia é clara: algo precisa ser consertado antes do casamento.

Divulgação: Disney Studios.

E então vem o terremoto, literalmente, e a nova troca e o caos multiplicado:

No dia seguinte, todas acordam… diferentes. Harper e Anna, mãe filha, trocaram de corpo. Tess e Lily, avó e futura neta, também. O susto é geral e as expressões das atrizes nesse momento são impagáveis, Jamie e Lindsay se entregaram mesmo neste retorno.

A direção faz questão de repetir alguns dos detalhes icônicos do filme original, como os olhares confusos no espelho, as roupas trocadas e as reações exageradas ao novo corpo. Mas o que era um caos a dois agora é um pandemônio a quatro.

Divulgação: Disney Studios.

A atuação das veteranas é um show à parte. Jamie Lee Curtis e a sua interpretação da adolescente britânica cheia de atitudes é hilária, exagerada no ponto certo e cheia de timing cômico.

Lindsay Lohan, por sua vez, mostra que voltou com tudo, faz sua versão de adolescente ser tão boa quanto a original. Ela ri de si mesma, faz piada com o passado e mergulha de cabeça no papel.

Já as jovens atrizes Julia Butters (Harper) e Sophia Hammons (Lily) não ficam atrás. Elas assumem o desafio de interpretar duas mulheres adultas com credibilidade e graça.

Divulgação: Disney Studios.

É especialmente divertido ver como as personagens tentam lidar com as responsabilidades da vida adulta, desde reuniões de trabalho até conversas sobre relacionamentos, tudo com aquele jeitinho atrapalhado de quem ainda está aprendendo a existir no mundo.

Quem faz a ponte entre as descobertas é a estrela pop Ella (Maitreyi Ramakrishnan), que vive o drama de uma separação enquanto se prepara para um grande show que Anna está encarregada.

Uma trilha sonora que embala a nostalgia é a cereja do bolo (ou daqueles milkshakes que Anna e Tess saboreiam com vontade enquanto estão nos corpos das jovens com o metabolismo à mil), entregando momentos de pura nostalgia.

A volta da banda Pink Slip, junto com as atrizes Christina Vidal (Maddie) e Haley Hudson (Pug), é um presente aos fãs do primeiro filme, com direito a figurino, performance e aquela energia adolescente que ainda mora na memória de quem cresceu nos anos 2000. E se você assistiu ao original repetidas vezes, provavelmente vai se emocionar um pouco. Ou muito.

Mas a música não está só na memória afetiva. Ela costura a narrativa, ajuda a pontuar as emoções e, claro, embala alguns dos momentos mais caóticos e divertidos do filme. Tem pop, tem um pouco de punk rock, tem até baladinha de casamento, tudo muito bem amarrado.

A nova trama tem os mesmos aprendizados: no meio da confusão, as adolescentes (agora nos corpos de Anna e Tess) tentam sabotar o casamento. Não por maldade, de fato, mas por medo da mudança. Já as adultas, no corpo das jovens tentam garantir que tudo dê certo, mesmo sem controle algum da situação.

Aos poucos, claro, os aprendizados vão surgindo. Afinal, é vivendo na pele da outra que a gente entende de verdade o que o outro sente.

O reencontro com personagens antigos também dá aquele calorzinho no coração. Jake (Chad Michael Murray), antigo crush de Anna, retorna nas cenas mais divertidas do filme e sim, ele ainda arranca suspiros.

Divulgação: Disney Studios.
Divulgação: Disney Studios.

E no meio disso tudo, claro, vem a mensagem: família não é perfeita, mas é no amor e no respeito que a gente encontra o jeito de seguir junto. O filme acerta em cheio ao mostrar que, mesmo com as diferenças e com as brigas, é possível encontrar acolhimento e cumplicidade. E sim, tudo isso com muito humor.

A direção de Nisha Ganatra é certeira na sequência. Ela entende o tempo da comédia, o espaço da emoção e a dinâmica que precisa existir entre as atrizes para que o filme funcione bem. Os roteiristas encontraram o ponto certo ao equilibrar referências ao primeiro filme com um texto novo, atual, que conversa com uma geração bem mais conectada, mais direta e talvez mais cética, mas que ainda se encanta com histórias que tocam o coração.

Divulgação: Disney Studios.

Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda não é só mais uma comédia sobre troca de corpos. É sobre amadurecimento, empatia, ciclos que se renovam. É sobre entender que as dores da adolescência e da vida adulta, no fundo, não são tão diferentes assim.

As inseguranças mudam de roupa, mas continuam ali. E às vezes, tudo que a gente precisa é olhar o mundo pelos olhos de quem a gente ama.

No fim das contas, o filme entrega tudo o nem tinha prometido ao certo, a gente só queria ver Lindsay e Jamie juntas de novo em tela.

Tem cenas hilárias, atuações marcantes, trilha sonora cativante e um coração enorme pulsando ali no meio do caos. Se você cresceu com o filme original, vai se emocionar. Se está conhecendo agora, vai se divertir. E se for assistir com a família, prepare-se para rir alto e sair do cinema com aquele calorzinho no peito.

Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda estreia nos cinemas no dia 07 de agosto.

Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa a convite da Disney.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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