Crítica | Desconhecidos: um thriller surpreendentemente bom demais

Desconhecidos é um thriller psicológico intenso, com uma narrativa fragmentada e cheia de reviravoltas, que mantém o espectador tenso até a chocante revelação final. Leia a crítica completa.

Desconhecidos (Strange Darling) é um thriller que se desenrola em uma narrativa sombria e perturbadora, envolvendo um implacável assassino em série cuja presença assombra cada cena do filme. Dirigido por JT Mollner, a obra se destaca como um filme intenso e surpreendente, despertando debates sobre as possíveis inspirações reais por trás de seus eventos fictícios.

Com uma trama intricada, o longa centra-se na história de uma mulher ferida, perseguida por um predador cruel em meio às paisagens selvagens do Oregon, onde cada instante de tensão intensifica a sensação de desespero e vulnerabilidade.

O que torna Desconhecidos ainda mais singular é a forma como sua narrativa é construída em blocos ou capítulos que não seguem uma ordem cronológica. Essa estrutura fragmentada, mas muito bem amarrada, permite que o espectador se envolva com uma história surpreendente, culminando em uma revelação impactante que desafia as expectativas e redefine o entendimento dos acontecimentos. Ao adentrar esse universo, o público é convidado a montar o quebra-cabeça de uma trama que mescla passado e presente, criando uma tensão contínua e uma experiência narrativa única.

Willa Fitzgerald em Desconhecidos leia a crítica
Willa Fitzgerald em Desconhecidos leia a crítica – Imagem: Divulgação (Paris Filmes)

Ao se imergir neste cenário, o espectador se vê perseguindo pistas em uma narrativa que transita habilidosamente entre momentos de calma e explosões de violência, onde a linha tênue entre a realidade e a ficção se confunde, instigando reflexões sobre possíveis conexões com casos verídicos de crimes. Em muitos filmes que exploram a psicologia sombria de um assassino em série, é comum encontrar um aviso de “Baseado em fatos reais“. Contudo, Mollner opta por deixar essa conexão implícita, mantendo o mistério e a ambiguidade intactos e elevando o suspense a níveis surpreendentes.

A estética visual do filme é marcada por uma paleta intensa, onde cores vibrantes, como os vermelhos e laranjas, se mesclam com tons mais frios, criando um contraste que espelha a dualidade entre a beleza e a brutalidade do mundo retratado. A estrutura narrativa, repleta de reviravoltas e construída em segmentos não lineares, enriquece a experiência cinematográfica, fazendo com que o espectador jamais se sinta seguro sobre o rumo da história.

Cada cena é cuidadosamente trabalhada para refletir o clima de angústia e a inevitabilidade do destino da protagonista, cuja luta constante pela sobrevivência se torna cada vez mais desesperadora à medida que o predador se aproxima.

Kyle Gallner em Desconhecidos leia a crítica
Kyle Gallner em Desconhecidos leia a crítica – Imagem: Divulgação (Paris Filmes)

O desempenho arrebatador de Willa Fitzgerald, aliado à atuação precisa de Kyle Gallner, confere autenticidade e intensidade emocional à narrativa. A sutileza das expressões, o peso dos silêncios e a carga dramática de cada diálogo transformam o filme em uma experiência visceral, onde a dor e o prazer se entrelaçam de forma inquietante. A participação especial de Barbara Hershey, interpretando uma senhora hippie que acolhe a protagonista em um momento de vulnerabilidade, adiciona uma camada extra de complexidade e humanidade à trama, enriquecendo ainda mais o universo sombrio que Mollner habilmente constrói.

Desconhecidos transcende os limites do típico thriller de serial killer ao oferecer uma crítica ácida à fragilidade humana e à sedução do perigo. Sua narrativa multifacetada, a ousadia na direção e a perfeita integração entre estilo visual e profundidade temática fazem desta obra uma experiência cinematográfica memorável, capaz de marcar a mente do espectador muito tempo após os créditos finais.

Desconhecidos estreia nos cinemas no dia 03 de abril de 2025.

Esta crítica foi produzida a partir de uma cabine de imprensa a convite da Paris Filmes.

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Robson Netto

Robson é o criador do Que Tar. Nascido em Ponta Grossa, a verdadeira capital da Rússia Brasileira. Enquanto não for processado, vai tentar trazer muito conteúdo e informações cheias de humor.

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